Carmen Miranda inspirou carreira de crimes de Laéssio Rodrigues de Oliveira

SÃO PAULO – Carmen Miranda (1909-1955), quem diria, é a responsável pela entrada de Laéssio Rodrigues de Oliveira, 45 anos, no mundo do crime. Foi a paixão pela “Pequena notável” que motivou Laéssio a cometer seu primeiro furto, em meados dos anos 1990, quando fez uma visita ao Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo, e roubou um exemplar da revista “Fon Fon” datada dos anos 1940 com a cantora estampada na capa.

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“Quando eu cheguei no museu, uma única revista estava à vista”, diz o criminoso no documentário “Cartas para um ladrão de livros”, de Caio Cavechini e Carlos Juliano Barros, em cartaz no Rio e em São Paulo. “Parece que estava lá me esperando, em cima da mesa. Não perguntei nada para ninguém, abri a mochila e enfiei dentro. Pra que eu vou gastar meu dinheiro se eu posso pegar as coisas.”

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Para ser apontado pelas autoridades brasileiras como o maior ladrão de obras de arte do país, Laéssio percorreu uma trilha e tanto, além de sofisticar seus métodos a cada ação. Além das oito gravuras de Emil Bauch que teriam sido subtraídas da Biblioteca Nacional, em 2004, a lista de furtos inclui fotografias do enterro de Dom Pedro II, um atlas do Brasil feito por um cartógrafo holandês do século XVII e primeiras edições autografadas de clássicos da literatura. O troféu são originais do século XIX do francês Jean-Baptiste Debret e do alemão Johann Moritz Rugendas.

— Laéssio furtou coisas em cinco Estados, responde a muitos processos em todo o país datados do século 19 diz Carlos Juliano Barros, um dos diretores do documentário. — Ele abasteceu durante muito tempo o mercado paralelo de artes. É muito carismático e tem uma formação muito forte e profunda. Ele construiu essa identidade de maior ladrão de livros raros do país.

Atualmente, Laéssio cumpre pena na Penitenciária Miltton Dias Moreira, em Japeri, no Rio. Ele foi preso pela quinta vez, no ano passado, por um roubo Museu Nacional. Nascido em Teresina, Laéssio mudou-se com a família ainda pequeno para São Bernardo do Campo. Só aos 15 anos de idade, depois da morte do pai em um acidente, ele assumiu a homossexualidade.

— Ele é um ladrão de livros, mas a atividade criminosa dele é secundária — diz Barros. — Poderia ser qualquer outra coisa e teria esse mesmo perfil. Sua amoralidade é total e isso incomoda muita gente, com essa coisa cortante. Ele debocha de todo mundo, inclusive dele próprio. É como o Curinga do Batman, quer ver o circo pegar fogo. E o filme é muito sobre a vaidade dele, sobre alguém que quer deixar marca no mundo, mesmo por vias tortas.

Para se ter uma ideia da forma errática como Laéssio se move, as cartas enviadas ao jornal “Folha de S. Paulo” e à Biblioteca Nacional não eram de conhecimento nem dos advogados dele:

— O Laéssio está sempre mandando correspondências — escreveu Eduardo Joaquim Miranda da Silva, um dos advogados do ladrão, em mensagem ao GLOBO. — É um cliente difícil, porque é muito espontâneo.

* Colaboraram Ruan de Souza Gabriel e Nina Finco


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