Brasil precisaria fazer esforço equivalente a mais quatro Bolsas Família para erradicar pobreza


RIO — Combater a pobreza no Brasil, condição que atinge quase 55 milhões de pessoas ou um quarto da população, necessitaria um investimento adicional de cerca de R$ 10,2 bilhões todo mês. Esse valor, explica o IBGE em sua mais recente pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2018, representa a soma do que falta para cada um desses brasileiros, que vivem com até R$ 406 por mês ou até US$ 5,5, segundo classificação do Banco Mundial, ultrapassarem essa faixa de rendimentos que os coloca abaixo da linha pobreza. Em média, esse investimento seria de R$ 187 mensais por pessoa. Os dados foram divulgados na manhã desta quarta-feira. Para 2019, o orçamento do Bolsa Família, o principal programa federal de combate à pobreza, está estimado em R$ 30 bilhões. Se a erradicação da pobreza fosse feita por meio dele, isso significa que esse orçamento teria de ser cinco vezes maior.Segundo os pesquisadores, esses recursos poderiam vir por meio de programas de transferência de renda, mas também de forma indireta, por meio de geração de empregos, pois muitas dessas famílias podem ter sido atingidas pela perda de renda causada pelo desemprego, que chegou a atingir quase 14 milhões de pessoas durante a recessão. ibge daiane 0511— Um projeto de erradicação da pobreza depende de muitas decisões. Subsidiar o custo com moradia e alimentação, gerar empregos, tudo isso pode ser contemplado. Mas, se você quiser resolver esse problema amanhã, numa canetada, esse seria o montante adicional necessário a ser investido — disse Leonardo Queiroz Athias, analista da Coordenação de População e Indicadores Sociais do IBGE.Além do grupo ter aumentado, ele ficou mais pobre no ano passado. Em 2016, segundo o IBGE, o esforço necessário para tirar esse grupo da pobreza seria um pouco menor, de R$ 9,95 bilhões mensais.Segundo o instituto, esse montante trata-se de um cálculo aproximado, pois considera a alocação de recursos, sem custos operacionais e sem eventuais efeitos inflacionários desse investimento.15 milhões estão abaixo da linha da pobrezaDos 55 milhões de pessoas vivendo em condições de pobreza, 15 milhões estão em situação ainda pior: abaixo da linha de pobreza extrema. Ou seja, vivem com renda inferior a US$ 1,90 por dia (R$ 140 por mês), de acordo com o Banco Mundial. Em números absolutos, esse contingente aumentou de 13,5 milhões em 2016 para 15,2 milhões de pessoas em 2017. O esforço econômico para tirar essa grupo da extrema pobreza é um pouco menor, de R$ 1,17 bilhões mensais.28% da população sem acesso à educaçãoNo Brasil, em 2017, ao menos 16% da população ou 33 milhões de pessoas eram atingidas pela pobreza dimensional, que mede a falta de acesso à educação, proteção social, moradia, serviços de saneamento básico e internet.Segundo o IBGE, integra esse grupo os brasileiros que têm ao menos três restrições a esses direitos básicos que garantem maior cidadania.Os dois maiores grupos são os do sem acesso a saneamento básico – 37% dos brasileiros não morava em lares que contavam, simultaneamente, com coleta de lixo, de esgoto e água encanada – e educação – 28,2% da população ou são crianças de 6 a 14 anos fora de escola ou pessoas com mais de 14 anos analfabetas ou acima de 15 anos sem o ensino fundamental completo.
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