Bolsonaro diz que 'sujeição automática' ao exterior está fora de cogitação


No mesmo dia em que o presidente francês Emmanuel Macron afirmou que os questionamentos do presidente eleito do Brasil ao Acordo de Paris podem comprometer a negociação do tratado comercial entre o Mercosul e a União Europeia, Jair Bolsonaro postou no Twitter que “está fora de cogitação” o Brasil se alinhar automaticamente a qualquer interesse externo.“Sujeitar automaticamente nosso território, leis e soberania a colocações de outras nações está fora de cogitação”, postou o presidente eleito. “É legítimo que países no mundo defendam seus interesses e estaremos dispostos a dialogar sempre, mas defenderemos os interesses do Brasil e dos brasileiros”. Bolsonaro_Café_30-11Publicado no início da noite desta quinta-feira, o texto foi entendido como uma resposta velada a Macron. Bolsonaro fixou o comunicado no topo de sua conta no Twitter, uma forma de destacá-lo.Em Buenos Aires, onde se encontra para o encontro do G20, o presidente francês disse que o seu país não pode promover pactos com países que não estejam dispostos a cumprir o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas.— Houve uma mudança política no Brasil, e o Mercosul deve avaliar o impacto desta mudança — declarou. — Não sou favorável a assinar entendimentos com países que dizem claramente que não o respeitarão (o Acordo de Paris).Desde antes de ser eleito, Bolsonaro tem demonstrado interesse em ter uma política externa próxima à dos Estados Unidos, com ações polêmicas, por vezes consideradas como exageradamente obsequiosas em relação a Washington. Em outubro de 2017, ainda durante a pré-campanha, o presidente eleito prestou continência à bandeira americana em Miami. Na quinta-feira, ele repetiu a saudação militar, direcionada ao conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, John Bolton, que o visitou em sua casa.Própria ao meio militar, a saudação, de origem incerta, costuma ser descrita como sinal de “respeito e apreço” em manuais e decretos do Exército. O gesto é regulamentado por um decreto de 1997, que determina que militares da ativa devem prestá-lo para seus superiores, que, a depender da própria vontade, podem ou não corresponder com gesto idêntico. Bolton não correspondeu, rapidamente oferecendo a mão para um aperto entusiasmado.Além disso, em visita a Washington no começo da semana, Eduardo Bolsonaro, filho do político que tem atuado como representante informal do governo em política externa, usou um boné escrito “Trump 2020”, em apoio à reeleição do atual mandatário. O ato foi considerado polêmico, por apoiar um político de outro país — tradicionalmente, a diplomacia proscreve a interferência, sobretudo explícita, na política doméstica de outras nações.O entusiasmo em relação aos EUA é repetido pelo atual chanceler brasileiro, Ernesto Araújo. No artigo “Trump e o Ocidente”, publicado na revista “Cadernos de Política Externa” de dezembro de 2017, ele fez um paralelo entre o atual mandatário americano e Deus.Araújo afirmou que, segundo o filósofo alemão Martin Heidegger, “somente um Deus poderia ainda salvar o Ocidente”. De acordo com o chanceler, após escutar um discurso de Trump na Polônia, “talvez Heidegger mudasse de opinião” e pensasse que “somente Trump pode ainda salvar o Ocidente”.
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