Bolsonaro ameaça dispensar assessor econômico que defende novo imposto


RIO – O presidente eleito Jair Bolsonaro ameaçou, na noite desta segunda-feira, afastar o economista Marcos Cintra da equipe de transição do novo governo. Em entrevista ao apresentador José Datena, da Band, Bolsonaro reagiu à informação de que Cintra publicara na internet um artigo defendendo sua proposta de criação de um imposto sobre transações bancárias nos moldes da antiga CPMF. O economista rebate críticas à ideia, argumenta que a comparação com a CPMF é indevida porque sua proposta elimina outros tributos federais e critica a ideia de um Imposto de Valor Agregado (IVA), defendida por outros integrantes da equipe econômica do presidente eleito.

Bolsonaro disse que não admite críticas de dentro de sua equipe e que “quem quiser ser oposição tem que estar fora do meu governo”. Ele reiterou que não recriará a CPMF e criticou Cintra por falar sobre temas que não foram acertados ainda com seu principal assessor econômico, Paulo Guedes, que será seu superministro da Economia.

– Esse cara já foi deputado. Está lá na equipe de transição. Já conversei com ele para não falar aquilo que não estiver acertado com o Guedes, comigo – disse o presidente eleito ao ser informado do artigo por Datena, que leu ao vivo uma matéria da Agência Estado no site UOL. – Parece que tem certas pessoas, se é verdade a informação, que não podem ver uma lâmpada e se comportam como mariposa. Não pode haver crítica, não interessa quem seja. Não pode um assessor do Paulo Guedes, que ele confia, fazer críticas. Quem critica é oposição. E quem quer ser oposição tem que estar fora do meu governo. Espero que não seja (verdade a notícia), até porque tenho profundo apreço pelo Marcos Cintra.

Equipe Bolsonaro

O presidente eleito afastou qualquer possibilidade de recriar a CPMF:

– Eu tenho falado para a equipe econômica. Às vezes um outro colega pensa apenas em números, como um jogou aí. Vamos criar uma CPMF de 0,45%, mas paga quem recebe e quem também saca. Falei: negativo. Primeiro, não existe essa coisa da CPMF. A imprensa deu um cacete em cima de mim no tocante a isso daí. E muito menos uma hipótese absurda dessa de 0,9%. No meu entender, toda cadeia produtiva é onerada mais de uma vez. Isso está sendo organizado e conduzido pelo Paulo Guedes e a gente sempre puxa a orelha de um ou outro assessor.


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