Bolívia permite quarta candidatura consecutiva de Evo Morales


LA PAZ — A Justiça eleitoral da Bolívia deu luz verde nesta terça-feira para que o presidente Evo Morales concorra a um quarto mandato consecutivo contra outras sete chapas. A oposição à sua candidatura vem crescendo no país, com a mobilização de protestos pela oposição, que a considera inconstitucional. Uma greve nacional está prevista para quinta-feira. O registro eleitoral de Morales com Álvaro García Linera foi realizado com o apoio de uma multidão de adeptos, mas enfrenta resistências exigindo respeito ao referendo de 21 de fevereiro de 2016, que rejeitara uma nova reeleição de Morales, dirigente do país desde 2006. Desde segunda-feira, um grupo de jovens está instalado na porta do Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) boliviano, numa praça pública de La Paz, para expressar rechaço à candidatura de Morales. Três caravanas avançam dos Andes rumo a La Paz contra a nova candidatura do presidente. Eles deverão se reunir na capital na quinta-feira para se juntar a outras manifestações.Links Evo Morales O ex-presidente Carlos Mesa, apontado pelas pesquisas como principal rival de Morales nas eleições gerais de outubro de 2019, considerou a aprovação declarada pela Sala Plena do TSE foi um “golpe de morte contra a democracia”. Outro dirigente opositor, Samuel Doria Medina, já derrotado nas urnas três vezes por Morales, considerou que a decisão desta quarta “é a mais grave afronta à democracia desde a sua reconquista em 1982. “Uma ação submissa diante deste governo autoritário é expressa pelo TSE, que, como alguém que lê um instrumental inconsequente, deu um golpe de morte contra a nossa democracia, habilitando como candidato o proprietário de todos os poderes, Evo Morales”, escreveu Mesa em sua conta da rede social Twitter. “Chamamos a unidade para frear a ditadura. A oposição deve rechaçar de maneira contundente esta decisão e se unificar num único projeto para frear a ditadura”. A oposição a Evo Morales está fragmentada faltando menos de um ano para as eleições. A divisão em várias frentes vai contra a análise que a oposição fez antes das eleições sobre o caráter do governo, o qual considera “autoritário” e até “ditatorial”, por isso devendo ser confrontado de maneira unitária. Além de Mesa, um segundo candidato com possibilidades reais é o senador Óscar Ortiz, representante do Movimento Democrata, partido de direita forte em Santa Cruz, a região mais rica do país.O partido do governo, Movimento para o Socialismo (MAS) conseguiu que o Tribunal Constitucional suspendesse em 2017 as limitações constitucionais à reeleição e a tornasse indefinida para todos os cargos executivos. A primeira fase eleitoral consistirá em “primárias”, realizadas em janeiro do próximo ano. Nelas somente os membros de cada partido votam. As partes apenas indicaram um par de candidatos cada, de modo que, de fato, não haverá competição interna: os eleitores só podem ratificar as propostas feitas pelas diretorias de suas organizações.Este fato gerou críticas contra a decisão de introduzir as primárias, que foram vendidas como um avanço para a democracia interna dos partidos. Faltando 11 meses para as eleições apenas uma coisa está clara: se nada mudar nos próximos meses, a oposição virá dividida para a campanha eleitoral.Uma recente pesquisa do jornal Página Siete consolidou Mesa (2003-2005) no primeiro lugar, com 34% das intenções de voto, seguido de Morales, com 29%. Em eventual segundo turno, se nenhum candidato passar de 50% dos votos, a distância de Mesa em relação a Morales aumentaria, com 51% para o primeiro e 36% para o segundo.
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