Bailarinos do Teatro Municipal coreografam seis comissões de frente do Grupo Especial


RIO – Os pliés do balé clássico não são estreantes
no requebrado do samba na Sapucaí. Mas, no próximo carnaval, pode-se dizer que
ditarão o ritmo, ao menos nas comissões de frente das escolas do Grupo Especial.
Seis delas serão coreografadas por profissionais do Theatro Municipal. No
comando do bailado que conduzirá as agremiações rumo à Apoteose, estarão
veteranos como Marcelo Misailidis, na Beija-Flor, e um debutante de Avenida: o
primeiro bailarino Filipe Moreira, na Paraíso do Tuiuti.

— A escola queria uma pegada clássica, uma movimentação mais versátil, um
alongamento diferenciado. Estou nervoso, porque é muita responsabilidade. A
comissão é um expoente, um show à parte — afirma Filipe, que dividirá o desafio
com a mulher, Elida Brum, também bailarina do Municipal.

Carnaval 2019O enredo da Tuiuti, “O Salvador da Pátria”,
conta a história do Bode Ioiô, eleito vereador em Fortaleza em 1922, num ato de
protesto da população da capital cearense. Sem adiantar detalhes, Filipe promete
impressionar pela emoção da narrativa engajada traduzida em dança:

— A Tuiuti tem uma vertente política. Este ano, foram os escravos negros. Em
2019, será a resistência do povo, cansado da corrupção, do voto de cabresto e da
politicagem.

Filipe lembra que a própria
história dele é política: ano passado, em meio à crise que afetou o teatro e
após ficar quase cinco meses sem salário, com um filho de 7 anos para sustentar,
ele trabalhou como motorista do aplicativo Uber por dois meses, durante 12 horas
por dia. E conta que levará o aprendizado da experiência para Avenida.

Apesar de premiados na folia, o
casal Priscilla Motta e Rodrigo Negri, primeiros solistas do Municipal, também
terão um gostinho de estreia na Avenida. Depois de Grande Rio e Unidos da Tijuca
(quem não se lembra da comissão que trocou de roupa num passe de mágica em
2010?), eles desembarcam agora na Estação Primeira de Mangueira. E levam à Verde
e rosa a expectativa da surpresa.

— É nossa marca. Esperam isso de nós. Mas o
artista tem que estar sempre em evolução. Na Mangueira, buscamos algo novo, que
nem sempre tem a ver com tecnologia — frisa Priscilla.


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