Avianca pode perder até 20% da frota por causa de dívidas atrasadas


RIO E SÃO PAULO – O ritmo lento da retomada econômica em 2018 ao que tudo indica fez mais uma vítima: a companhia aérea Avianca, que pode perder até 13 de uma frota de 60 aeronaves devido ao pedido de credores que reclamam débitos atrasados no valor de US$ 32 milhões.De acordo com os dois processos judiciais obtidos pelo GLOBO, os problemas de caixa da companhia vêm desde setembro. Por isso, duas empresas de arrendamento de aeronaves, a BOC e a Constitution, ambas com sede fiscal na Irlanda, entraram com ações judiciais em comarcas da capital paulista.No caso da BOC, a dívida de US$ 1,9 milhão diz respeito ao atraso no pagamento do arrendamento de duas aeronaves. O processo teve uma apelação por parte da empresa de suspensão da retirada das aeronaves sob a alegação de que a medida traria um custo social decorrente dos transtornos para readequar a malha. O pedido foi negado. Aviação – 07/12 O processo da Constitution Aircraft envolve uma dívida de US$ 30 milhões pelo atraso no arrendamento de 11 aeronaves. Na visão de especialistas em empresas com dificuldades financeiras, pode ser o início de uma batalha judicial.- A Avianca pode renegociar a dívida com os credores, judicialmente ou não, ou perderá os aviões – diz Marcos Velloza, sócio da área de contencioso cível do Velloza Advogados.Problemas nos aeroportosAlém das dívidas que acarretaram o pedido de retomada dos aviões, a companhia aérea enfrenta outros problemas. A Avianca já tem uma dívida de cerca de R$ 50 milhões com as empresas que administram os aeroportos concessionados (Galeão, Guarulhos, Viracopos, Confins, Brasília e Natal), segundo uma fonte do setor. Há cerca de seis meses, a empresa começou a atrasar os repasses das tarifas de embarque para os terminais, levando alguns aeroportos a procurar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para tratar da questão.Segundo uma fonte ouvida pelo GLOBO, as negociações entre as concessionárias e a Avianca para regularização do pagamento têm sido feitas individualmente. A companhia aérea também deve valores aos aeroportos administrados pela Infraero.Quando o passageiro compra sua passagem, a taxa de embarque está embutida no valor do bilhete. As companhias aéreas funcionam como uma intermediária no recolhimento dessas taxas. Alguns dias após o passageiro embarcar, as empresas repassam aos terminais portuários os valores correspondentes à taxa. Nas passagens internacionais, há ainda uma parcela destinada ao Fundo Nacional da Aviação Civil (Fnac). São esses repasses que a Avianca vem atrasando. O saldo devedor se acentuou de outubro para cá.A empresa vem passando por dificuldades financeiras. No segundo trimestre, teve prejuízo superior a R$ 100 milhões. Desde o ano passado, a companhia vinha ampliando sua frota para atender novos destinos, especialmente internacionais. Inaugurou rotas para Miami e Santiago, por exemplo. Ela é quarta maior empresa do setor no Brasil, com pouco mais de 10% do mercado no país. Apesar da expansão, a sorte não esteve ao lado da companhia.Pega no contrapé- A Avianca foi pega no contrapé pela combinação de baixo crescimento da economia brasileira, que impediu avanços na demanda por passagens aéreas com a desvalorização do real frente ao dólar, que aumentou o preço do querosene de aeronaves, o maior custo das companhias mundo afora – diz Thiago Nykiel, sócio da Infraway, consultoria em aviação sediada em São José dos Campos (SP).Em respostas via e-mail, a Avianca afirma que “as acusações não procedem e a companhia reitera que não está passando por problemas financeiros”. A companhia informa ainda que a devolução de “oito aeronaves – planejada e prevista pela empresa desde agosto deste ano – está em linha com o processo de adequação de sua frota à atual demanda de passageiros para aumentar a eficiência operacional da empresa. Ou seja, a redução da frota se deve à reestruturação da malha da empresa que está sendo ajustada ao cenário atual do País”.A companhia aérea afirmou ainda, na nota, que “fatores externos como a alta do dólar, o aumento histórico do preço do combustível de aviação e a greve dos caminhoneiros têm desafiado todo o setor em 2018, mas a Avianca Brasil acredita que a economia deve retomar o crescimento e isso se refletirá positivamente no mercado de aviação”.Ainda de acordo com a nota, a direção da Avianca afirmou que suas operações “seguem normalmente e não estão, nem serão impactadas. A empresa reitera que continuará atendendo todos os destinos oferecidos”.
Leia a notícia completa em O Globo Avianca pode perder até 20% da frota por causa de dívidas atrasadas

O que você pensa sobre isso?