Andarilho pretende empurrar ‘barco do Círio de Nazaré’ do Amapá até São Paulo

Mateus Coutinho Aguiar, de 65 anos, tem a meta de percorrer o mundo inteiro a pé. Mateus Coutinho Aguiar pretende empurrar o barco até a cidade de Aparecida, em São Paulo
Jorge Abreu/G1
Com uma estrutura de três metros de comprimento e dois de altura, um barco construído em homenagem ao Círio de Nazaré sairá de Macapá com destino a cidade de Aparecida, no interior de São Paulo. Mas, essa embarcação não vai percorrer as águas e sim as estradas.
Essa é a proposta do andarilho Mateus Coutinho Aguiar, de 65 anos, que coleciona viagens pelo mundo feitas a pé. Ele pretende empurrar o barco, que tem rodas, até o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.
“Para este novo desafio, o percurso é de 3,5 mil quilômetros. Eu fiz uma canoa para Nossa Senhora de Aparecida. Estou bem preparado psicologicamente e tenho uma experiência muito grande. Esse percurso é bem menor do que outros que já fiz”, destacou.
Novo desafio do andarilho amapaense pode durar cerca de seis meses
Jorge Abreu/G1
O andarilho destaca que quer ser o “maior peregrino do mundo”. Devoto de Nossa Senhora de Nazaré, ele busca divulgar o Círio, maior manifestação religiosa do Amapá e também Pará, aos fiéis de São Paulo, que realizam uma das maiores romarias do Brasil, na cidade de Aparecida.
Movido pela fé, Aguiar ainda não tem data definida para o início da aventura, mas a previsão é para o fim do mês de outubro ou início de novembro. Ele busca patrocínio e ajuda de pessoas. Conforme planejamento elaborado em três anos, a viagem pode demorar cerca de seis meses.
Vida de andarilho
Mateus Coutinho Aguiar conta que iniciou a trajetória de viajar a pé aos 51 anos, mas o sonho surgiu quando ainda tinha 22, época que trabalhava no navio cargueiro da Marinha Mercante. Na companhia de marinheiros, ele teve a esperança de conhecer o munto inteiro.
“Os marinheiros me falavam muito sobre conhecer o mundo e eu sonhei um dia em fazer isso. Então esperei todos os meus filhos ingressarem na universidade para entender melhor a minha aventura e, aos 51 anos de idade, eu botei minha mochila nas costas e parti”, disse.
Barco foi construído em homenagem a Nossa de Senhora de Nazaré
Jorge Abreu/G1
O homem relata que já percorreu todos os países da América do Sul. Na América Central, ele já passou por Nicarágua, Panamá e Costa Rica. Enquanto na Europa visitou Portugal e Espanha. Após essa viagem em nome da fé, Aguiar quer conhecer outros países.
“Minha meta é fechar com 40 mil quilômetros, que significa uma volta ao planeta Terra. Eu acumulo um percurso de 24,512 quilômetros e agora parto para uma viagem de 3,5 mil. Já tive meu nome no Guiness Book, mas fui ultrapassado, agora quero superar os novos recordes”, finalizou.
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Controladores de voo contam como é a rotina de quem organiza o espaço aéreo de Brasília

Profissionais autorizam pousos e decolagens, além de dar suporte ao piloto em emergências. G1 foi à torre de controle do Aeroporto JK conferir os bastidores da atividade. Controladores de voo acompanham aviões que passam pela área de Brasília
TV Globo/Reprodução
“Senhores passageiros, decolagem autorizada”. Por trás do anúncio do piloto, 210 controladores de tráfego aéreo se revezam diariamente entre mapas, computadores e radares para organizar as incontáveis rotas que cortam o céu de Brasília. Do alto da torre de controle, no Aeroporto JK, os profissionais autorizam pousos e decolagens de, pelo menos, 500 aviões por dia.
O olhar atento e o controle emocional são fundamentais para o dia a dia de quem monitora o vaivém de aeronaves. A rotina é intensa, desgatante, dizem eles – “mas compensa”.
Neste sábado (20), Dia Internacional do Controlador de Tráfego Aéreo, o G1 mostra como foi a visita feita nesta semana ao Centro de Controle de Área de Brasília (ACC) para conhecer os bastidores da atividade.
Passo a passo
Avião decolando em Brasília
Aeroporto de Brasília/Divulgação
A 25 metros do chão, em uma torre com visão privilegiada do aeroporto, 15 controladores emitem comandos para aviões iniciarem o taxiamento na pista. A autorização para a decolagem acontece em um segundo momento – antes, o controlador confere o plano de voo e avalia as rotas de todas as outras aeronaves que passam sobre o DF.
“A função básica é manter a distância de segurança entre as aeronaves, manter o tráfego ordenado”, explica o sargento Marcelo de Paula, que atua há 12 anos no controle de voos.
“É preciso ter boa visão espacial e, principalmente, ter bom controle emocional para tomar atitudes sensatas.”
Com a decolagem autorizada, desde o momento em que o avião ganha os ares, até o pouso, a cabine do piloto mantém contato permanente com os controladores. A 500 pés de altitude (cerca de 150 metros do solo), a torre de controle no aeroporto de Brasília deixa de operar e passa o contato para uma central, a 8,5 km dali.
‘Isolados do mundo’: controladores de voo só acompanham jogos da Copa durante pausa
Janaína França é supervisora de controle de tráfego aéreo em Brasília
Marília Marques/G1
Em uma sala isolada, no coração do Centro Integrado de Defesa Aérea (Cindacta I) – no Lago Sul – outros controladores passam a monitorar os aviões por meio de radares. Cada ponto colorido na tela do computador é uma aeronave que se desloca no espaço aéreo.
A missão de cada profissional é direcionar o piloto caso ele precise mudar o trajeto devido ao mau tempo ou outros imprevistos no caminho, como uma aeronave que aterrissou e ainda não saiu da pista. “Às vezes, o piloto também erra a rota”, explica o capitão Adilson Drumond. Os pilotos inserem a rota no computador do avião antes de decolar –e depois ajustam, caso tenham que desviar, por exemplo, em razão de mau tempo ou tráfego aéreo congestionado.
Em Brasília, a autorização do novo trajeto é dada pela sargento Janaína França, supervisora de controle. Com oito anos de experiência, a militar garante que tudo é avaliado com muito cuidado. “Tem um controlador, um assistente e um supervisor. São filtros para verificar se há algum conflito na rota”.
“Voar é bastante seguro, a gente trabalha sempre com bastante responsabilidade.”
Controladora de tráfego aéreo em contato com piloto de aeronave
Sem distração
No centro de controle, os profissionais trabalham quase sempre em duplas, mantendo o contato com pilotos de aeronaves militares e comerciais. O dia a dia é permeado de códigos, números e mapas inacessíveis a um olhar destreinado.
Os comandos de voz são técnicos, diretos, para evitar dúvidas. “O controlador fala, ‘suba para 31 mil pés, suba para nível 240 [ou 24 mil pés]’. São autorizações de mudanças de rotas, para separar as aeronaves”, explica o capitão Drumond. Na aviação, a altitude é informada em pés, não metros. Um pé equivale a 0,3 metro.
Na sala, os profissionais ficam em frente a monitores onde é possível acompanhar, em tempo real, todas as aeronaves que passam sobre o setor de Brasília. Cada controlador é responsável por 12 a 14 aviões de uma só vez.
Controladora de tráfego aéreo na torre de comando, no aeroporto JK
Marília Marques/G1
Para evitar o desgaste psicológico, os militares trabalham, no máximo, uma hora e meia seguida. O período é intercalado por descanso em salas reservadas.
No centro de controle, a dedicação é exclusiva ao trabalho. O local funciona 24h, sete dias na semana, não há distrações no ambiente e é proibido o uso de celulares. Na parede, apenas uma bandeira do Brasil como decoração.
As informações entre os controladores são trocadas quase em sussurro, por microfones acoplados a fones de ouvido. Tudo, para não atrapalhar os comandos de quem é responsável por traçar as rotas mais seguras para quem está nos ares.
Avião decola no Aeroporto de Brasília; vista da torre de controle
Militares e civis
De acordo com a Força Aérea Brasileira (FAB), atualmente 4,4 mil controladores de voo atuam em quatro centrais espalhadas no país. Ao todo, são 3,5 mil militares e apenas 157 civis.
Fora da gestão da aeronáutica, ainda há outros 861 controladores que atendem empresas prestadores de serviço de tráfego aéreo, como a Infraero, o Exército e a Marinha. O controle de tráfego aéreo no aeroporto de Guarulhos, por exemplo, fica a cargo da Infraero.
A formação de um controlador leva, em média, dois anos e não exige nível superior. Para militares, a entrada é por meio de concurso público. A formação é oferecida pela Escola de Especialista da Aeronáutica (EEAR), na cidade de Guaratinguetá (SP).
Para os civis, o curso é dado no Instituto de Controle do Espaço Aéreo (ICEA), em São José dos Campos (SP). Após a formação, o salário médio varia de R$ 3,5 mil a R$ 4,4 mil.
Leia mais notícias sobre a região no G1 DF.
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Rússia acusa EUA de ‘inventar’ interferência eleitoral para aplicar sanções ao país

MOSCOU— O vice-ministro de Relações Exteriores da Rússia, Serguei Riabkov, acusou os Estados Unidos de “inventar” acusações sobre interferência russa nas eleições 2018 como pretexto para impor sanções ao país. Na sexta-feira, o governo americano acusou uma cidadã russa de tentar intervir nas legislativas que acontecerão em novembro.“Acreditamos que Washington está inventando um pretexto para impor mais uma vez suas famosas sanções contra nosso país”, declarou Riabkov em um comunicado.O vice-ministro se queixou que depois de acusações semelhantes durante a eleição presidencial de 2016 nos EUA, “agora em Washington estão tentando jogar a mesma cartada à medida que se aproxima a data das legistativas”.russiaRiabkov acusou ainda “certos políticos americanos” de levarem a cabo uma “vergonhosa campanha de difamação” para obter ganhos eleitorais e “ao mesmo tempo atacar a Rússia”.De acordo com o Departamento de Justiça americano, Elena Alekseevna Jusyaynova, de 44 anos, desempenharia um importante papel financeiro em um plano apoiado pelo Kremlin para conduzir uma “guerra de informação” contra os Estados Unidos, inclusive para influenciar o pleito de novembro.Ela seria a chefe de contabilidade do Projeto Lakhta, que, segundo o governo, é financiado pelo oligarca russo Evgeny Viktorovich Prigozhin e por duas empresas que ele controla, a Concord Management and Consulting LLC e a Concord Catering.
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Como a Índia deu ao mundo o número zero

A invenção do zero foi um enorme e significativo desenvolvimento matemático e é um fundamental para o cálculo, tornando possíveis a física, a engenharia e a tecnologia moderna. Tanto a religião budista quanto a hindu usam o conceito do nada como parte de seus ensinamentos
Mariellen Ward/BBC
Em Gwalior, uma cidade congestionada no centro da Índia, um forte do século 8 se levanta com um esplendor medieval em uma planície no coração da cidade. O Forte de Gwalior é um dos maiores da Índia, mas se você olhar entre as torres com cúpulas, pedras esculpidas e afrescos coloridos, vai encontrar um pequeno templo do século 9 encravado em uma rocha.
O Templo Chaturbhuj é como muitos outros templos antigos na Índia – exceto pelo fato de que aqui é o marco zero do zero. Ele é famoso por conter o mais antigo zero como um dígito escrito: está gravado na parede de um templo uma inscrição do século 9 com o número “270” claramente visível.
A invenção do zero foi um enorme e significativo desenvolvimento matemático e é fundamental para o cálculo, tornando possíveis a física, a engenharia e a tecnologia moderna.
Mas o que há de especial na cultura indiana para dar origem a essa criação tão importante para a Índia – e para o mundo moderno?
O mais antigo exemplo do zero escrito como um dígito pode ser encontrado em um templo dentro do Forte Gwalior, na Índia
Mariellen Ward/BBC
Nada de nada
Eu me lembro de um TEDTalk do renomado mitólogo indiano Devdutt Pattanaik, no qual ele conta a história sobre a visita de Alexandre, o Grande, à Índia. O conquistador aparentemente conheceu alguém a quem chamou de “gimnosofista” – um homem sábio, que estava nu, possivelmente um iogue – sentado em uma pedra olhando para o céu.
Perguntou a ele: “O que você está fazendo?”
“Eu estou vivenciando o nada. O que você está fazendo?”, respondeu o gimnosofista.
“Eu estou conquistando o mundo”, disse Alexandre.
Ambos riram. Cada um achou que o outro era um bobo e que estava desperdiçando sua vida.
Essa história aconteceu muito antes de o zero ser gravado no templo de Gwalior, mas o gimnosofista meditando sobre o nada de fato tem uma conexão com a invenção do dígito. Indianos, diferentemente de pessoas de muitas outras culturas, já eram abertos filosoficamente ao conceito de nada.
Sistemas como a ioga eram desenvolvidos para encorajar a meditação e o esvaziamento da mente, e as religiões budista e hindu abraçam o conceito do nada como parte de seus ensinamentos.
Peter Gobets, secretário da fundação holandesa ZerOrgIndia, também chamada de Projeto Zero, que pesquisa as origens do dígito zero, aponta em um artigo sobre a invenção do zero que “o zero matemático (“shunya” em sânscrito) pode ter surgido da filosofia contemporânea de vazio ou Shunyata (uma doutrina budista sobre esvaziar a mente de impressões e pensamentos)”.
Além disso, a nação tem uma antiga fascinação com a mais sofisticada matemática. Matemáticos indianos antigos eram obcecados com números gigantes, contando aos trilhões, enquanto os gregos antigos pararam em cerca de 10 mil. Eles até tinham tipos diferentes de infinidade.
Há uma crença popular de que o astrônomo e o matemático hindu Aryabhata, nascido em 476, e Brahmagupta, nascido em 598, foram os primeiros a descrever formalmente as casas decimais modernas e apresentar regras governando o uso do símbolo zero.
Apesar de Gwalior ser considerado há tempos o local da primeira ocorrência do zero escrito como um círculo, um antigo pergaminho indiano chamado de manuscrito Bhakshali, que mostra um marcador de espaço como o símbolo de um ponto, foi recentemente datado dos séculos terceiro ou quarto.
Ele é agora considerado a primeira ocorrência documentada do zero.
O zero matemático – ‘shunya’ em sânscrito – pode ter surgido a partir de Shunyata, a doutrina budista de esvaziar a mente
Mariellen Ward/BBC
Marcus du Sautoy, professor de matemática da Universidade de Oxford, é citado no site da universidade dizendo que: “A criação do zero é um número por si só, que evoluiu do marcador de espaço como um símbolo de ponto encontrado no manuscrito Bakhsali, e foi um dos grandes avanços na história da matemática. Nós agora sabemos que no século 3 já existiam matemáticos na Índia plantando a semente da ideia que mais tarde se tornaria tão fundamental para o mundo moderno. As descobertas mostram quão vibrantes foram as matemáticas no subcontinente indiano por séculos”.
Mas igualmente interessantes são as razões pelas quais o zero não foi desenvolvido em outros lugares. Apesar de os maias e os babilônicos (e muitas outras civilizações) também terem um conceito do zero como marcador de espaço, não se sabe se a ideia foi desenvolvida como um número para ser usado na matemática em outros lugares além da Índia.
Uma teoria é a de que algumas culturas tinham uma visão negativa do conceito do nada. Por exemplo, houve um tempo nos primórdios do cristianismo na Europa em que líderes religiosos baniram o uso do zero porque eles achavam que, já que Deus está em tudo, um símbolo que representa o nada deveria ser satânico.
Então talvez exista algo conectado na sabedoria espiritual da Índia que tenha dado origem à meditação e à invenção do zero.
Há outra ideia conectada também, que tem um efeito profundo no mundo moderno.
O Vale do Silício à indiana
Quem se dirige para fora do Aeroporto Internacional de Kempegowda, em Bengaluru, em direção ao centro da cidade, a cerca de 37km de distância, vê várias placas grandes presas de maneira desordenada ao solo da Índia rural.
Essas placas proclamam os nomes dos novos deuses da Índia moderna, as companhias à frente da revolução digital: Intel, Google, Apple, Oracle, Microsoft, Adobe, Samsung e Amazon. Todas têm escritórios em Bengaluru, assim como as empresas de tecnologia locais Infosys e Wipro.
O aeroporto moderno e os sinais brilhantes são os primeiros indicadores de transformações. Antes da indústria da tecnologia da informação chegar ali, ela era chamada de Bangalore e era conhecida como a Cidade Jardim. Agora é Bengaluru, e é conhecida como o Vale do Silício da Índia.
O que começou nos anos 1970 como um parque industrial, Electronic City, até expandir a indústria eletrônica no estado de Karnataka, pavimentou o caminho para a explosão da cidade, que hoje tem vários parques de TI e é o lar de cerca de 40% dessa indústria no país.
Bengaluru pode até superar o Vale do Silício, considerando as previsões de que pode se tornar o maior hub de TI na Terra até 2020, com 2 milhões de profissionais, 6 milhões de empregos indiretamente ligados à TI e US$ 80 bilhões (cerca de R$ 323 bilhões) em exportações.
E tudo isso se torna possível graças ao sistema de numeração binário.
Os computadores digitais de hoje operam no princípio de dois possíveis estados, on e off. O estado on tem o valor 1 enquanto o off foi ligado ao valor 0. O zero.
“Talvez não surpreenda que o sistema de números binários também tenha sido inventado na Índia, nos séculos 2 ou 3 antes de Cristo, por um musicologista chamado Pingala, apesar de seu uso ser para a métrica”, diz Subhash Kak, historiador de ciência e astronomia e professor na Universidade do Estado de Oklahoma, nos EUA.
Os Jardins Botânicos de Lalbagh ficam no centro cultural e geográfico de Bengaluru, um símbolo da antiga Bangalore e o lugar mais recomendado aos turistas para se visitar. Construído originalmente em 1760 com muitas adições posteriores, tinha um ar vitoriano distinto, com 150 tipos de rosas e um pavilhão de vidro feito no fim dos anos 1800 e decorado segundo o famoso Palácio de Cristal de Londres.
Lalbagh é um tesouro em uma cidade que é uma das que mais crescem na Ásia e um lembrete charmoso dos dias em que Bengaluru era um dos locais preferidos de britânicos aposentados durante o período do Raj (colônia).
Os Jardins Botânicos de Lalbagh são um tesouro em uma das cidades que crescem mais rapidamente na Ásia
Mariellen Ward/BBC
Eles construíram casas em estilo “cottage” com jardins grandes e passaram a aposentadoria aproveitando o clima temperado e as condições ideais de crescimento da então sonolenta cidade.
Mas a antiga Bangalore está desaparecendo sob as obras infraestrutura e a ambiciosa expansão da cidade. Entre 1991 e 2001, Bengaluru cresceu em 38% e é hoje a 18ª cidade mais populosa do mundo, com 12 milhões de pessoas. O trânsito sem dúvida é o pior da Índia, considerando que o planejamento não acompanhou o desenvolvimento de muitos parques de TI e o grande fluxo de trabalhadores.
O caos e o congestionamento que são a marca das metrópoles da Índia chegam ao máximo em Bengaluru, onde se pode demorar uma hora para se dirigir meros 3 km. Ainda assim, os habitantes continuam sua vida bravamente, morando o mais próximo possível dos campi high-tech – e até dentro deles, em alguns casos – criando start-ups, desenvolvendo softwares e alimentando o mundo com produtos de TI e know-how.
É difícil imaginar o número de chips de computadores e bits e programas que vêm de Bengaluru, o número de computadores e dispositivos construídos e desenvolvidos ali. Mais difícil ainda imaginar o número de zeros do sistemas binários de zero que eles demandaram.
E, ainda assim, tudo isso começou na própria Índia. Do nada.
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Bandidos sequestram dois motoristas de aplicativos para roubar na Zona Oeste de SP

Polícia apreendeu um suspeito e um menor. Eles chamavam os motoristas pelo aplicativo e faziam sequestro-relâmpago na madrugada deste sábado. Polícia prendeu um suspeito e apreendeu um menor envolvidos no sequestro
André Zorato/TV Globo
Policiais militares prenderam um suspeito e apreenderam um menor que sequestraram dois motoristas de aplicativo na Zona Oeste de São Paulo na madrugada deste sábado (20), no km 10 da Rodovia Raposo Tavares.
Segundo a PM, os dois criminosos – Paulo Pereira de Moraes Sobrinho, de 22 anos, e um menor – acionaram uma corrida pelo o aplicativo Uber e, quando o motorista chegou ao local, anunciaram o assalto. Eles entraram no carro e fizeram a vítima dirigir pela região. Enquanto isso, roubaram dinheiro, celular e aliança do motorista, que a todo momento, era ameaçado de morte. Ele chegou a levar uma coronhada na cabeça.
Durante o sequestro-relâmpago, os criminosos ainda tentaram sacar dinheiro da vítima em um caixa-eletrônico, mas não conseguiram. Com isso, a dupla abandonou o motorista na rua Caxingui, na Vila Sônia. Ele conseguiu acionar a polícia e informar sobre o ocorrido.
Um dos carros de motorista de aplicativo que foi abordado pelos bandidos
André Zorato/TV Globo
Enquanto isso, a dupla chamou outro carro do aplicativo uber. Eles sequestraram esse segundo motorista e o fizeram dirigir pelas ruas do bairro. Os bandidos chegaram a chamar um terceiro criminoso, que apareceu no meio do percurso de moto, e obrigou o motorista a passar o cartão dele em uma maquininha de vendas eletrônicas. A vítima também foi agredida com uma coronhada e precisou entregar os demais pertences de valor.
Os policiais conseguiram prender os criminosos, e libertar o segundo motorista. Os criminosos permanecem detidos e foram encaminhados para o 89º Distrito Policial. Segundo a polícia, os dois ladrões já tinham passagem pela polícia por tráfico de drogas e receptação de carga roubada.
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Adolescente da Venezuela retrata crise econômica em charges

CARACAS — Num desenho, a Justiça é vista fugindo da Venezuela, com uma espada na mão direita e uma mala na esquerda. Em outro, um menino em prantos diz ao pai que não quer que as aulas voltem. Angustiado, seu pai olha uma lista de materiais escolares caros e diz: “Nem eu, meu filho.” Em um terceiro desenho, um venezuelano corre em direção a uma nave espacial alienígena e implora por ajuda.O criador dessas charges políticas eloquentes é Gabriel Moncada, um estudante venezuelano de 13 anos. O adolescente sempre gostou de desenhar animais e carros, mas alguns anos atrás começou a retratar o desespero de seus compatriotas com a hiperinflação, a emigração em massa e a escassez de alimentos e remédios. venezuela— As crianças começam a perceber (o que está acontecendo) porque não vão mais tanto ao cinema, percebem que não podem ficar na rua até tarde, não há muita comida em casa nem os mesmos produtos — diz Gabriel, sentado à mesa onde desenha. — Os desenhos são uma maneira de me expressar. Acho que é uma maneira criativa, divertida e diferente de mostrar os problemas que vivemos diariamente.Sua mãe, a jornalista de rádio Cecilia González, de 46 anos, começou a publicar as charges do filho em sua página de Facebook no fim de 2016. Impressionada, uma amiga logo pediu para publicá-las em seu site de notícias, TeLoCuentoNews, onde elas aparecem toda sexta-feira há quase dois anos em uma seção intitulada “É assim que Gabo vê”, uma referência ao apelido do menino, Gabo.A mãe do menino conta que inicialmente a família tentou blindá-lo da realidade de decadência venezuelana, mas que desistiu à medida que os problemas se tornaram cada vez mais evidentes.— Nada é mais como era antes, e eles percebem isso — explicou Cecilia. — Você leva os filhos à escola e há três ou quatro crianças pegando comida do lixo na esquina.A economia venezuelana, dependente do petróleo, está em queda livre desde 2014, quando os preços do produto caíram. Essa queda, combinada à má gestão econômica, provocou uma falta de divisas que derrubou as importações de alimentos e outros produtos básicos. O Fundo Monetário Internacional estimou que a inflação no país neste ano chegará a 1.000.000%, enquanto o PIB cairá 15%. Quase dois milhões de venezuelanos já deixaram o país em busca de melhores condições no exterior — incluindo Colômbia, Peru, Equador e Brasil.
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Mulheres sofrem mais efeitos colaterais da quimioterapia do que homens, diz estudo

RIO — As mulheres experimentam certos efeitos colaterais da quimioterapia, incluindo náuseas, vômitos e perda de cabelo, com mais frequência do que os homens, de acordo com levantamentos realizados em pacientes com câncer de esôfago e estômago.Os pesquisadores da Royal Marsden NHS Foundation Trust analisaram dados de quatro estudos realizados no Reino Unido, na Austrália e na Ásia. Após a coleta de dados, concluíram que o sexo do paciente pode ser um fator importante para o tratamento do câncer. CâncerTodas as quatro pesquisas analisaram procedimentos de quimioterapia comumente usados em casos avançados de câncer de esôfago e estômago.Dados de 1.654 pacientes (1.328 homens e 326 mulheres) mostraram que as mulheres experimentaram taxas significativamente mais altas de náusea e vômito (89% para mulheres, comparado com 78% para homens) e diarreia (54% contra 47%).A perda de cabelo também foi mais vista nas mulheres — 81%, em comparação com 74% dos homens. Também é maior entre elas a ocorrência de “eventos adversos graves” durante o tratamento — complicações potencialmente graves, que muitas vezes requerem internação hospitalar.Em relação à eficácia da quimioterapia, não houve diferença na sobrevida entre homens e mulheres, embora a taxa de resposta ao procedimento — a proporção de pacientes que experimentam uma redução no tamanho do tumor — tenha sido maior entre os homens.— Nosso estudo mostra que, em alguns tipos de câncer, as mulheres apresentam taxas mais altas de certos efeitos colaterais da quimioterapia, particularmente aqueles relacionados à função gastrointestinal — avalia Michael Davidson, pesquisador da Royal Marsden NHS Foundation Trust. — Sabemos há muito tempo que existem diferenças entre homens e mulheres na incidência e prognóstico de muitos cânceres. No entanto, estamos apenas começando a entender como as diferenças genéticas e biológicas entre os sexos influenciam o desenvolvimento do câncer e a resposta ao tratamento.Segundo Davidson, há pesquisas em andamento dedicadas à análise das diferenças em como homens e mulheres respondem a novos tratamentos anticâncer, como a imunoterapia.Diretor do Instituto de Pesquisa do Câncer em Londres, David Cunningham acrescenta que a pesquisa contribui para um “crescente número de evidências” de que o sexo do paciente pode influenciar o tratamento do câncer, e por isso os médicos precisam estar cientes de tais diferenças.— Se soubermos, por exemplo, que pacientes do sexo feminino têm maior probabilidade de apresentar efeitos colaterais como náuseas e vômitos, podemos permitir uma quimioterapia mais personalizada.
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O general de Toffoli

No domingo 7 de outubro, dia do primeiro turno das eleições presidenciais, os brasileiros aguardavam ansiosamente o resultado que sairia das urnas, numa das disputas presidenciais mais polarizadas da história. A ansiedade também era vivida pelo presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli. Com colegas do STF e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ele teve acesso à apuração pouco depois das 17 horas, duas horas antes de todo o país, em uma sala fechada da Corte eleitoral. Para passar o domingo com ele, Toffoli escolheu poucos assessores. Entre eles estava Fernando Azevedo e Silva, general da reserva do Exército.Quando assumiu a liderança do Judiciário, Toffoli formou um“gabinete estratégico”, com o objetivo de criar canais de diálogo com setores identificados por ele como importantes. Num momento em que os militares estão abandonando o recolhimento dos últimos anos e voltaram a ganhar protagonismo, inclusive com a perspectiva cada vez mais próxima de um capitão da reserva vir a assumir o Palácio do Planalto, o presidente do Supremo pensou na simbologia do gesto de convidar um general para sua equipe e assim reforçar a interlocução com as Forças Armadas.Toffoli convidou Azevedo para compor sua assessoria antes mesmo de assumir o comando do Supremo, em 13 de setembro. Foi ao comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e pediu uma indicação. Naquele momento, dois generais tinham acabado de ir para a reserva. Um deles já havia sido indicado para outro cargo. Toffoli teve então uma conversa com Azevedo, em que disse que precisava de um “assessor para assuntos militares”. O general topou assumir o cargo. De lá para cá, em quase todos os compromissos institucionais, tem escoltado o presidente do Supremo na função de conselheiro. Quase sempre, Toffoli convida Azevedo para que o acompanhe em viagens. Diante do favoritismo eleitoral de Bolsonaro, os dois devem ficar ainda mais colados.Azevedo não é um general qualquer. Tem, ao mesmo tempo, ótima interlocução no Congresso, onde desempenhou a função de assessor parlamentar; com o Alto-Comando do Exército, onde foi chefe do Estado-Maior até ir para a reserva; com a cúpula do Ministério da Defesa; com Bolsonaro; com o grupo que dá suporte à campanha de Bolsonaro; e com o vice, o general da reserva Antônio Hamilton Mourão (PRTB).Uma das missões oficiais de Azevedo no STF será auxiliar na formulação de políticas de segurança para o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o órgão de controle do Judiciário que Toffoli também preside e é responsável, entre outras questões, pela fiscalização de presídios e da execução das penas. Mas, mesmo antes de sua nomeação ser publicada no Diário de Justiça, Azevedo começou a trabalhar na construção de pontes do Supremo com a caserna, principalmente com o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, e com o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna. Além de visitar Luna no ministério, Azevedo mantém interlocução com o ministro via WhatsApp.O general de Toffoli conhece Bolsonaro desde a década de 70, quando passaram pela Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), em Resende, no Rio de Janeiro. Bolsonaro é da turma de 1977. Azevedo, do ano anterior. Os dois foram atletas militares. A boa relação se fortaleceu no Congresso, quando Bolsonaro era o deputado federal que mais assumia a defesa dos interesses corporativistas dos militares e o general de Toffoli era o assessor parlamentar do Exército, cargo relevante dentro da estrutura militar, com a responsabilidade de defender os projetos de interesse da Força perante as lideranças políticas.Azevedo é amicíssimo do general Mourão, que já defendeu a possibilidade de um “autogolpe” e de uma nova Constituição elaborada por um grupo de notáveis, sem passar pelo Parlamento. Os dois conviveram por três anos no Alto-Comando do Exército. Pouco antes da posse de Toffoli, em plena campanha presidencial, o general deu um almoço em sua casa a Mourão e sua trupe e participou de uma reunião que traçou estratégias para a candidatura de Bolsonaro.O general de Toffoli também tem excelente relação com o general Augusto Heleno, que só não virou vice de Bolsonaro por questões partidárias. Heleno, hoje, é o general mais próximo do candidato do PSL e foi anunciado como futuro ministro da Defesa se Bolsonaro vencer nas urnas. Quando Heleno chefiou o gabinete do Comando do Exército, Azevedo foi seu subchefe.toffoliAzevedo é muito amigo também do general da reserva Oswaldo Ferreira, que coordena em Brasília o grupo que dá suporte à campanha de Bolsonaro e está formulando um programa de governo para o candidato do PSL. Ferreira convidou Azevedo para participar do grupo. Ele topou e deu sugestões em pelo menos uma reunião.Discreto e de estilo bonachão, antes de ser assessor parlamentar do Exército Azevedo acumulou experiência em lidar com políticos ao trabalhar na área de segurança do então presidente Fernando Collor. Também esteve à frente da Autoridade Pública Olímpica (APO), durante o governo de Dilma Rousseff, quando virou interlocutor frequente do então ministro-chefe da Casa Civil, Aloizio Mercadante, filho de um general do Exército.Mesmo no círculo mais próximo a Toffoli, a nomeação de um general para a assessoria do STF causou estranheza. Um ministro do Supremo com boa relação com Toffoli disse que não tomaria essa medida, apesar de compreender a preocupação do presidente do STF em estabelecer canais com diferentes setores para garantir a estabilidade das instituições, num momento de grandes turbulências políticas. No tribunal, existe uma ala de ministros que teme que Bolsonaro no poder implante um governo com propostas radicais à direita.Em encontros sociais ocorridos antes da votação do primeiro turno, Toffoli e o ministro Luís Roberto Barroso conversaram sobre os riscos de um governo Bolsonaro — incluída aí a possibilidade de decretos polêmicos nos campos da economia e dos costumes. Ambos concordaram em que o STF precisa ficar próximo dos militares, para conter eventuais medidas inconstitucionais ou que representem afronta a princípios da democracia — embora os ministros não vejam qualquer risco de ruptura institucional por parte das Forças Armadas.Toffoli é um velho defensor da tese de que, ao longo da história da República brasileira, o Supremo e as Forças Armadas se revezaram na função de Poder Moderador antes exercido pelo imperador. Ainda que acreditem que Bolsonaro, no Planalto, adotará uma postura mais ponderada do que na campanha, os ministros do STF dizem que o tribunal deve estar a postos para frear eventuais radicalismos do Executivo ou do Congresso Nacional e defender a Constituição.Uma preocupação é resguardar os direitos de minorias. Um exemplo são os indígenas — que, conforme declaração do candidato do PSL, não teriam terras demarcadas num eventual governo dele. Há, além disso, resistências na Corte à redução da maioridade penal, proposta defendida por Bolsonaro. Também é unanimidade entre os ministros a necessidade de impedir qualquer movimento para convocar uma nova Assembleia Constituinte, algo não previsto na Constituição de 1988.O “Poder Moderador” do STF, na visão de Toffoli, inclui manter distância de decisões que, para o presidente da Corte, devem ser tomadas pelo Executivo e pelo Congresso Nacional. Toffoli não tem intenção de pautar nos dois anos de sua presidência na Corte o processo que trata da descriminalização do aborto. Nem o que trata da descriminalização do porte de drogas por usuários. Ainda mais se Bolsonaro vencer nas urnas — o candidato é contrário às duas propostas. Julgar temas como esses colocaria o STF em conflito com um Palácio do Planalto chefiado pela extrema-direita e com o Congresso mais conservador das últimas décadas. “Neste cenário, o STF ajuda se não atrapalhar”, disse um ministro.Na tentativa de atenuar conflitos potenciais e se aproximar das Forças Armadas, Toffoli tem exagerado nas mesuras aos militares. Numa palestra dada em setembro na Universidade de São Paulo (USP),Toffoli tentou relativizar o golpe militar que depôs João Goulart da Presidência em 1964. “Hoje, não me refiro nem mais a golpe, nem a revolução. Me refiro a movimento de 1964”, disse aos estudantes.A interlocutores, Toffoli alegou que, se usasse qualquer das duas nomenclaturas como juiz, estaria tomando partido. Mesmo ministros do STF de perfil conservador consideraram, porém, a declaração de Toffoli simplesmente teratológica — absurda, no português castiço dos juristas. “Um especialista em Direito não pode querer rebatizar como movimento um golpe que implantou um regime de exceção que perdurou por 21 anos”, disse um ministro da Corte a ÉPOCA.As tentativas de Toffoli de cortejar os militares são cada vez mais óbvias. Ao presidir a sessão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que manteve o afastamento do juiz Eduardo Cubas, de Formosa, Goiás — ele tentou recolher urnas eletrônicas na véspera do primeiro turno —, Toffoli fez mais um afago: “Registro o denodo e a correção do Exército brasileiro. Assim que recebeu a decisão do magistrado, relatou os fatos à Advocacia-Geral da União (AGU), que tomou as devidas providências”, disse. Cubas proferiu uma decisão para recolher urnas na véspera do pleito e tentou traçar um plano com a participação do Comando do Exército, que faria um teste dos equipamentos. Integrantes do gabinete do comandante Villas Bôas comunicaram à AGU, que, então, acionou o CNJ.A adulação dos militares tem servido para Toffoli melhorar sua imagem perante o Alto-Comando do Exército. Antes visto pelos generais como muito associado ao PT, o ministro passou a receber elogios. Além da decisão de colocar um militar em seu gabinete, os generais gostaram do adiamento para 2019 de um novo julgamento sobre as prisões em segunda instância, que poderá tirar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva da cadeia, e da ratificação do veto à entrevista do petista antes do primeiro turno das eleições. Em abril, na véspera do julgamento do habeas corpus de Lula no STF, o comandante do Exército, general Villas Bôas, manifestou-se em “repúdio à impunidade”. Na avaliação de observadores de bastidores do Judiciário, a atitude amistosa de Toffoli com os militares poderá ajudar a evitar novas manifestações do gênero quando o STF voltar a julgar a situação de Lula.A atitude conciliatória de Toffoli com os militares não é recente. Quando foi advogado-geral da União no governo Lula, o ministro foi contrário à revisão da Lei de Anistia, que livrou de processos penais os militares acusados de crimes durante a ditadura. Os generais acreditam que Azevedo pode ser importante para influenciar o debate a respeito da Lei de Anistia no Supremo se a questão vier novamente à tona. Para a caserna, outra questão importante no âmbito do STF são as ações de inconstitucionalidade contra as leis que aliviaram punições a militares, inclusive PMs, em situações de garantia da lei e da ordem. Uma lei sancionada pelo presidente Michel Temer permite o deslocamento de processos da Justiça comum para a Justiça militar. Integrantes das Forças Armadas acompanham com lupa a movimentação dessas ações. Eles têm, agora, um general para chamar de seu dentro do gabinete do presidente do STF e esperam uma atuação do colega de farda junto ao ministro que lidera a Suprema Corte.
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Evento será realizado pela TV Anhanguera neste sábado, das 8h às 13h, no Teatro Sesi. G1 Goiás transmite ao vivo ‘Maior Aulão de Goiás – Enem 2018’ Evento será realizado pela TV Anhanguera neste sábado, das 8h às 13h, no Teatro Sesi.
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Um ano depois, sobreviventes falam em ‘trauma eterno’ após aluno matar 2 colegas dentro de escola em Goiânia

Adolescente de 14 anos, condenado a 3 anos de internação, segue cumprindo pena; atentado ocorreu na manhã do dia 20 de outubro no Colégio Goyases, no Jardim Riviera. Sobreviventes dos tiros dentro de sala de aula do Colégio Goyases, em Goiânia
Arquivo Pesssoal e TV Anhanguera
Um ano depois do dia 20 de outubro de 2017, sobreviventes falam em “trauma eterno” depois que um adolescente de 14 anos matou 2 colegas de sala e baleou outros 4 alunos, dentro do Colégio Goyases, em Goiânia. Hoje, uma delas está paraplégica, outra precisou se mudar para os Estados Unidos, e apenas uma continuou na mesma escola. Todos têm um ponto em comum: estudar para realizar sonhos e aprender a conviver com a dor.
“Todos os dias eu lembro daquela cena horrível, não tem um dia sequer em que eu acordo e não me lembro o que aconteceu. Eu me vejo no chão, caída, deitada, e vejo o atirador andando de um lado para o outro com a arma na mão”.
“Falar sobre isso me ajuda a dividir o peso disto tudo, mas esquecer vai ser impossível. É um trauma eterno”, disse Isadora de Morais, de 14 anos, que ficou paraplégica após um dos disparos ferir a coluna dela.
O diretor da escola, Luciano Rizzo, disse que a assessoria jurídica da escola é que iria se posicionar sobre o caso.
O escritório do advogado Eney Curado Brom Filho, responsável pela escola, informou, por meio de nota, que “passado um ano do incidente, o Colégio está, assim como todos os envolvidos no evento, retomando suas atividades e dando continuidade aos seus objetivos, que são educar e contribuir para formação daqueles que fazem parte da família Goyases”. Ainda de acordo com o texto, “a escola se solidariza com todos que sofreram com o ato” e que “sofreu e vem sofrendo com as perdas” decorrentes do incidente.
A manhã do dia 20 de outubro de 2017 chegava ao fim quando, por volta das 11h50, os estudantes do 8º ano do ensino fundamental do Colégio Goyases, no Jardim Riviera, estavam no intervalo entre duas aulas. Alguns conversavam, outros caminhavam, quando um dos alunos, de 14 anos, sacou uma pistola .40 da mochila e disparou contra a sala, atingindo seis colegas. Quando ele se preparava para recarregar a arma, foi convencido pela coordenadora da unidade a travar o revólver.
Os estudantes João Vitor Gomes e João Pedro Calembo, ambos de 13 anos, morreram no local. Já outros quatro alunos: Hyago Marques, na época com 13 anos, Isadora de Morais, também com 13, Lara Fleury Borges, 14 e Marcela Macedo, 13, foram baleados, socorridos e levados para hospitais de Goiânia. Isadora, a ferida mais grave, ficou paraplégica e só recebeu alta quase 2 meses depois.
João Pedro Calembo (à esquerda) e João Vitor Gomes morrem após tiros em escola de Goiânia, Goiás
Reprodução/ TV Anhanguera
Segundo o delegado Luiz Gonzaga Júnior, que acompanhou o caso até o fim, o autor dos tiros disse que sofria bullying de um colega e, inspirado em massacres como o de Columbine, nos Estados Unidos, e de Realengo, no Rio de Janeiro, decidiu cometer o crime.
O menor foi apreendido logo após os tiros. Trata-se do filho de um casal de policiais que pegou a arma da mãe em casa e a levou para a escola. Ele foi condenado a 3 anos de internação e, segundo a advogada da família, Rosângela Magalhães, permanece em um Centro de Internação.
“Ele recebeu como sentença a mais grave das medidas sócio educativas, a internação pelo período máximo de 3 anos. Na época da sentença, não recorremos, porque achávamos que não era o momento. Ele corre risco estando internado, corre risco estando em liberdade, é uma situação delicada”.
“Quando a gente achar conveniente vamos entrar com alguma medida, mas, por enquanto, ele continua internado, recebendo visitas semanais da família e está estudando regularmente”, disse a advogada ao G1.
O Tribunal de Justiça de Goiás informou em nota ao G1 que o caso corre em segredo de Justiça e que o órgão não pode se pronunciar ou divulgar informações sobre o caso.
Colégio Goyases, um ano depois de um aluno matar 2 colegas dentro de sala de aula, em Goiânia
Murillo Velasco/G1
Renascimento
Os doze meses se passaram lentos para os quatro adolescentes que foram baleados. Isadora, Marcela, Lara e Hyago não estão mais juntos diariamente, já que estudam em lugares diferentes. No entanto, vivem cotidianamente a dor de terem visto dois amigos, colegas de sala, serem assassinados. Eles afirmam que não se esquecem “um dia sequer” dos momentos de terror e contaram o que estão fazendo para seguir a vida, revelando os seus sonhos: virar médica, publicitária, ser feliz.
Isadora de Morais
Isadora de Morais ficou paraplégica após ser baleada dentro de Colégio em Goiânia, Goiás
Reprodução/TV Anhanguera
Isadora hoje estuda em outra escola. Depois de ser baleada, ficou 54 dias internada e recebeu alta em 13 de dezembro do ano passado. Ela ficou paraplégica e, desde então, faz terapia duas vezes por semana na unidade. Agora, ganhou também um tratamento em São Paulo, e a família arrecada fundos para tentar bancar as passagens aéreas.
“Meus amigos e minha família e até gente que eu nem conheço são as pessoas que me dão forças. Eu estou recebendo muita ajuda graças a deus e, devagarinho, estou me adaptando à cadeira de rodas. Eu sinto muita dor, as dores estão no corpo 24h por dia, mas, de pouco em pouco, a gente vai aprendendo a lidar. O que me deixa indignada é que eu estudei em um colégio por 10 anos, fiquei nesta situação e não recebi nenhuma ajuda”, desabafou.
A adolescente conta que quer continuar estudando e vai se dedicar para estudar comunicação social.
“Eu sempre quis estudar comunicação, é o meu grande sonho. Acredito que farei publicidade e propaganda para aprender a conviver com esta dor, que é muito forte. Mas eu fiquei muito feliz em saber que tanta gente está se preocupando comigo e me quer bem”, disse.
Lara Fleury
Lara Fleury é uma das sobreviventes ao atentado no Colégio Goyases, em Goiânia, Goiás
Arquivo Pessoal/Laura Fleury
Após o atentado, os quatro sobreviventes, à medida em que foram recebendo alta médica, retornaram às aulas na mesma escola. No entanto, em 2018, quando começaram a cursar o 9º ano, Lara foi a única a continuar no Colégio Goyases. Aos 15 anos de idade, ela afirma que não tinha forças para ir para outro lugar, senão aquele onde os amigos dela, que passaram pelo mesmo momento triste, estavam.
“Eu não quis sair lá da escola depois do que ocorreu, porque foi a primeira escola em que estudei na minha vida. Como só vai até o 9º ano eu quis ficar lá este ano e encerrar o ciclo. Um novo colégio depois de tudo que ocorreu ia ser um baque maior. A gente tenta evitar o assunto, mas querendo ou não vem lembranças, foi o dia de maior pânico e desespero”.
“Não é fácil superar. O que eu busquei para superar tudo isso foi a ajuda da minha mãe, dos amigos. Na escola eu tentava focar apenas nos estudos, senão eu não conseguiria“, disse Lara.
Ela relembra do tanto que era próxima de João Vitor e João Pedro, mortos pelo colega de sala. Agora, ela se agarra no sonho de se tornar médica para aprender a seguir a vida. Após ser baleada, ela ficou 5 dias internada.
“Foi difícil para mim porque eu e o João Vitor, juntos, éramos quem tinham notas maiores, a gente meio que competia quem tirava melhores notas. Minha relação com ele era de escola, de estudo. Já com o João Pedro era de amizade, porque ele era muito alegre e brincalhão, não tinha como não ser amigo dele”.
“Aceitar a perda dos dois e ter que seguir é muito complicado. Mas temos que seguir. Meu sonho é fazer medicina, e vou realizá-lo”, afirmou.
Marcela Macedo
Marcela Macedo se mudou para os EUA depois de ser baleada no Colégio Goyases, em Goiânia, Goiás
Arquivo Pessoal/Marcela Macedo
Dos sobreviventes, Marcela é a única que atualmente não mora no país. Ela se mudou para os Estados Unidos, onde estuda e respira novos ares para esquecer a tragédia. A adolescente foi baleada no pulmão e ficou 14 dias internada, sendo submetida, neste período, a uma cirurgia para drenagem pleural.
Agora, ela afirma que busca encontrar a paz, mesmo se lembrando sempre do que ocorreu. “Passei bem, procurei esquecer um pouco, me estabelecer para que eu pudesse viver em paz. Tem momentos que me lembro, e me dá um calafrio, uma tristeza, mas Deus me dá forças”.
“O que me vem muito à cabeça são os barulhos dos disparos, assim que eu fui atingida. E, depois, meu pai comigo nos braços. É o que eu mais me lembro, frequentemente”, revelou.
Assim como a colega Lara, Marcela sonha em ser médica e está focada nos estudos. “Escolhi seguir a medicina como profissão, que é consistentemente o meu maior sonho desde pequena”, disse.
Hyago Marques
Hyago Marques, de 13 anos, baleado durante ataque em colégio de Goiânia
Giovanna Dourado/TV Anhanguera
Hyago havia acabado de entrar na sala de aula quando viu o colega atirando contra João Pedro. O autor dos tiros, em seguida atirou contra ele, que perdeu a força das pernas e caiu no chão, sem perceber que havia sido baleado. Depois, ele conseguiu se arrastar até a sala vizinha e, só então, compreendeu o que tinha ocorrido.
Por telefone ao G1, a família do estudante disse que Hyago está bem. No entanto, informou que o adolescente, hoje com 14 anos de idade, não se sente confortável para voltar a falar sobre o caso.
Ele foi o primeiro, dos quatro baleados, a receber alta, depois de dois dias no Hospital de Urgências de Goiânia (Hugo). Hyago ficou com uma bala alojada na coluna perto do coração, que não deve ser removida, porque seria uma cirurgia de risco e, no local, não atrapalha a movimentação dele.

Arte/ G1
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