Ativista feminista acusa Heloisa Buarque de Hollanda e Companhia das Letras de violação de direitos autorais


RIO – A advogada e ativista feminista Eloisa Samy publicou no Facebook um texto em que afirma que processará a crítica literária Heloisa Buarque de Hollanda e a Companhia das Letras por “violação de direitos autorais e danos morais”. Samy é autora do artigo “Feminismo radical”, incluído em “Explosão feminista”, organizado por Buarque de Hollanda e publicado pela Companhia das Letras em novembro. O livro “Explosão feminista” é composto por artigos sobre as diversas vertentes feministas, como feminismo lésbico, feminismo protestante e feminismo negro.A discussão sobre a violação de direitos autorais começou na noite da última quarta-feira, um dia depois do lançamento em São Paulo do livro, quando a pesquisadora Daniela Lima publicou no Facebook um texto com severas críticas ao livro, no qual é citada com uma das colaboradoras. Daniela – junto com Aline Coelho, Angela Batista, Carol, Maria Carvalho e Maria Clara Bubna – é citada como colaboradora do artigo assinado por Samy, “Feminismo radical”.Daniela disse que ficou “surpresa” ao ver seu nome como uma das colaboradoras do livro, pois conversara com as outras mulheres mencionadas e, segundo ela, nenhuma teve qualquer contato com o texto antes da publicação: “Ou seja, não colaboraram e não autorizaram (formal ou informalmente) que suas citações fossem utilizadas”, escreveu. Daniela ainda afirmou que não se considera “feminista radical” e discorda dos argumentos do texto. “Ter o meu nome associado a esse texto é um dano irreparável”, completou.Na noite anterior, o artigo havia sido duramente criticado pela pesquisadora e ativista transexual Amara Moira, durante o evento de lançamento do livro. Ao lado de Buarque de Hollanda, Moira elogiou o livro, mas disse que o artigo sobre feminismo radical era “o mais lixo” e recorria a uma “argumentação Cabo Daciolo”.Moira é conhecida como a primeira transexual a defender uma tese de doutorado no Brasil e autora do livro “E se eu fosse puta” (Hoo), no qual narra sua experiência como prostituta enquanto cursava pós-graduação na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Moira afirmou que “metade” do artigo “Feminismo radical” servia “para atacar pessoas trans”, pois traz afirmações como “que possam existir mulheres com pênis e homens com vagina é mentira”, além de condenar a prostituição. Moira disse que queria “recortar” o artigo para poder incluir o livro em sua biblioteca feminista.Buarque de Hollanda concordou com as críticas de Moira e disse considerar “uma posição tão enlouquecida a do feminismo radical” que não imaginava que conseguiria um bom artigo sobre a vertente.Na manhã seguinte, Samy disse que foi “publicamente humilhada, ridicularizada e aviltada” por Buarque de Hollanda e que jamais foi informada “que o texto seria publicado como capítulo avulso no livro”. Afirmou ainda que fora entrevistada por Buarque de Hollanda em fevereiro de 2017 e que acreditava que seu depoimento serviria apenas como fonte de pesquisa.“Não assinei nenhum contrato de cessão de direitos autorais”, escreveu. “O livro ‘Explosão feminista’ pretendia ser um registro das vozes e dos feminismos no Brasil, mas ficou patente como amarga e lamentável demonstração de absoluta falta de ética e má fé. É deplorável que uma intelectual e uma editora de prestígio se prestem a tão lamentável papel de escarnecer publicamente a luta de tantas mulheres que militam pelo feminismo radical.”Também no Facebook, Buarque de Hollanda pediu desculpas a Samy, “por quem tenho genuína admiração”, e disse que torce para que o episódio “não tire o foco das questões importantes para o debate que esperamos suscitar com o livro”. A Companhia das Letras também divulgou nota afirmando que incluirá no livro uma errata “referente ao capítulo ‘Feminismo radical'”, explicando que o texto não teve colaboradoras.Em nota enviada ao GLOBO, a Companhia das Letras afirma que “se compromete a encartar errata informando que Aline Coelho, Angela Batista, Carol, Daniela Lima, Maísa Carvalho Costa e Maria Clara Bubna não são colaboradoras do capítulo ‘Feminismo Radical’” e completou: “todos os textos incluídos na coletânea foram autorizados”.A editora também informou que a correção já foi feita na versão e-book do livro. “Explosão feminista” teve tiragem de 8 mil exemplares.Confira a nota da Companhia das letrasA respeito da polêmica ocorrida em torno do livro “Explosão feminista”, a Editora esclarece que: (i) Heloisa Buarque de Hollanda publicou, em 6 de dezembro, carta na qual lamenta referência infeliz feita ao capítulo “Feminismo Radical” em evento de lançamento do livro; (ii) a Editora publicou, na mesma data, nota em que se compromete a encartar errata informando que Aline Coelho, Angela Batista, Carol, Daniela Lima, Maísa Carvalho Costa e Maria Clara Bubna não são colaboradoras do capítulo “Feminismo Radical”; por fim que (iii) todos os textos incluídos na coletânea foram autorizados.
Leia a notícia completa em O Globo Ativista feminista acusa Heloisa Buarque de Hollanda e Companhia das Letras de violação de direitos autorais

O que você pensa sobre isso?