Artistas brasileiros ganham destaque na 8ª edição do ArtRio


Evento acontece até domingo (30), na Marina da Glória. Quadros de Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti podem ser comprados na feira. A arte brasileira tem destaque especial na 8ª edição do evento ArtRio, que acontece até o dia 30 de setembro na Marina da Glória. A feira conta com a participação de cerca de 80 galerias, aprovadas pelo comitê de seleção da ArtRio e indicadas pelos curadores dos programas.
Obras de artistas consagrados se misturam no evento com as de artistas da nova geração.
“Temos hoje no Brasil um mercado amadurecido, em total sintonia com as melhores práticas e regras éticas da cadeia global. Nossos artistas são destaques de grandes mostras em países europeus e nos Estados Unidos, e estão presentes em algumas das mais importantes coleções privadas e acervos de museus e instituições”, reforça Brenda Valansi, presidente da ArtRio.
Em uma visita guiada promovida por um dos patrocinadores do evento, Rafael Fonseca, curador e doutor em história da arte, mostrou ao G1 algumas obras que podem chamar a atenção do público. Dois quadros de Tarsila do Amaral podem ser comprados na feira. São obras nos anos 50.
Quadro de Tarsila do Amaral que pode ser comprado na feira
Patricia Teixeira/G1
“Vieram do mercado secundário, alguém que tinha os quadros e quis vender. Essas obras são bem interessantes porque mostra o resgate da artista com a pintura que ela fazia nos anos 20, com um olhar de valorização da paisagem brasileira”, explica Rafael Fonseca.
Bem próximo aos quadros de Tarsila estão alguns de Di Cavalcanti, que mostram a obsessão do pintor pelas formas do corpo feminino.
Obras de Anna Bella Geiger também estão na exposição. Rafael explica que ela é um dos grandes nomes da arte contemporânea no Brasil. “Ele se apropria de materiais como postais, ficha pautada e outros elementos. Não fica presa a uma única linguagem”, reforça.
A vereadora Marielle Franco, morta no dia 14 de março, aparece em uma das obras de Camila Soato
Patricia Teixeira/G1
A arte brasileira também é representada no evento por João Castilho e Camila Soato. Em uma de suas obras, João exaltou lugares de extrativismo e igrejas barrocas, explorando artisticamente os temas.
Camila chama a atenção com a série “Resistência”, uma composição de quadros com discurso provocador, em que retrata fatos e imagens históricas. A vereadora Marielle Franco, morta no dia 14 de março, aparece em uma de seus quadros, junto com mulheres protestando.
Fora do eixo Rio – São Paulo
O espaço “Brasil Contemporâneo”, que tem curadoria de Bernardo Mosqueira, foi dedicado a galerias que apresentam trabalhos solo de artistas residentes fora do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. A criação deste novo programa possibilita uma visão mais ampla da produção artística nacional.
Obra “Dops- Concilio de jovens”, de Rafael Pagatini. A arte é uma série de quadros com imagens e textos encontrados em arquivos no Espírito Santo durante o regime militar.
Patricia Teixeira/G1
Os artistas Rafael Pagatini e Diego de Santos fazem parte do projeto “Brasil Contemporâneo”. Pagatini exibe em seu espaço a obra “Dops- Concilio de jovens”. A arte é uma série de quadros que mostram imagens e textos encontrados em arquivos no Espírito Santo. De acordo com o artista, as imagens foram feitas na época do regime militar.
“Era um olheiro do Dops, que observada pessoas suspeitas e fazia os apontamentos nos arquivos. Essa obra tem imagens feitas em um encontro de jovens da igreja católica, com possíveis padres ligados à teoria da libertação”, explicou o artista.
Já o cearense Diego de Santos colocou em sua arte o período em que teve contato com as obras de revitalização do Porto Maravilha, assim que se mudou para o Rio.
O cearense Diego de Santos colocou em sua arte o período em que teve contato com as obras de revitalização do Porto Maravilha, assim que se mudou para o Rio.
Patricia Teixeira/G1
“Me inspiro nas paisagens do Rio e suas problemáticas. Em alguns dos meus quadros, feitos com lápis de cor em pedaços de compensado, retrato os efeitos que toda mudança traz na vida das pessoas. Desenho tapumes, escavadeiras, andaimes, caçambas, e também a ideia de pequenas janelas, para simbolizar que as coisas usadas para demolir também servem para construir”, conta Diego.
Outros espaços
O programa “Panorama” reúne as galerias com atuação estabelecida no mercado de arte moderna e contemporânea e o “Vista” apresenta galerias jovens, com até 10 anos de existência, contando com projetos expositivos desenvolvidos exclusivamente para a feira. O “Mira” traz obras projetadas em um grande telão ao ar livre.
“Ida”, programa dedicado ao design, ganhou novo formato em 2018 com a curadoria de Renato Tomasi. Com a participação de designers, galerias e estúdios, o programa está mais integrado à feira e pretende mostrar a diversidade da produção brasileira tanto pela ótica da criação e produção como também pela variedade de matérias primas encontradas no país.
Palestras sobre colecionismo e o mercado da arte serão realizadas no auditório construído especialmente para a feira. Também será possível a agenda de visitas guiadas com curadores e especialistas em arte.
ArtRio 2018
Até 30 de setembro (domingo)
Sexta e sábado – das 13h às 21h/ Domingo das 13h às 20h
Local: Marina da Glória – Av. Infante Dom Henrique, S/N – Glória
Ingresso: R$ 40
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