Aquecimento global pode superar 1,5 graus Celsius por volta de 2040, alerta relatório

OSLO — O aquecimento global está prestes a superar
o que seria a meta mais rigorosa estabelecida pelo Acordo de Paris para 2040,
ameaçando o crescimento econômico no planeta. O alerta vem de um relatório
preliminar traçado pela ONU sobre os riscos da mudança climática. Se as emissões
continuarem no ritmo atual, o aquecimento induzido pelo homem ultrapassará a
marca de 1,5 grau Celsius por volta de 2040.LEIA MAIS: Antártica perdeu quase 3 trilhões de toneladas de gelo desde 1992Atividade humana já afetou 75% da superfície terrestre do planetaEmissões de gases-estufa por incêndios na Amazônia aumentaram 30% em 12 anosSegundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças
Climáticas (IPCC), os governos ainda podem limitar as temperaturas abaixo do
índice avaliado, desde que haja transições “rápidas e de longo alcance” na
economia mundial.Datado de 4 de junho, o esboço do relatório, solicitado por governos e obtido
pela Reuters, deve
ser publicado em outubro na Coreia do Sul. “Se as emissões continuarem seguindo seu ritmo atual, o aquecimento induzido
pelo homem ultrapassará os 1,5° C por volta de 2040”, destaca o documento,
reafirmando amplamente as conclusões de um esboço traçado em janeiro, mas agora
acrescido por 25 mil comentários de especialistas.O Acordo de Paris, adotado por quase 200 nações em 2015, estabeleceu uma meta
de limitar o aquecimento a uma marca “bem abaixo” de 2° C acima em relação à era
pré-industrial. Também foi estabelecido um compromisso, considerado difícil, de
“buscar esforços” para limitar o aumento da temperatura global a 1,5° C. O
documento perdeu força após a retirada do presidente americano Donald Trump, que
preferiu promover o uso de combustíveis fósseis.De acordo com o texto, a temperatura do planeta já subiu cerca de 1° C em
relação à era pré-industrial e tem aumentado a uma taxa de cerca de 0,2° C por
década:“As projeções indicam que o crescimento econômico deve ser menor com um
aquecimento de 2° C do que com 1,5° C para muitos países desenvolvidos e em
desenvolvimento”, sublinhou o relatório, que mencionou impactos como inundações
e secas, que podem prejudicar cultivos agrícolas, e as mortes que podem ser
desencadeadas por ondas de calor.Em um mundo com aquecimento de 1,5° C, por exemplo, a elevação do nível do
mar seria 10 centímetros menor que se as temperaturas avançassem 2° C, expondo
cerca de 10 milhões de pessoas a menos nas áreas costeiras a riscos como
enchentes e tempestades.Para os especialistas, as metas apresentadas pelas autoridades nacionais ao
Acordo de Paris são muito fracas para limitar o aquecimento a 1,5° C. Serão
necessárias inovações tecnológicas e mudanças no estilo de vida que reduzam
significativamente a demanda de energia até 2050, mesmo em um cenário de
crescimento econômico. A adesão a fontes renováveis, como eólica, solar e
hidrelétrica, teriam que aumentar 60% até 2050, em relação aos níveis previstos
para 2020. Já a exploração de combustíveis fósseis precisa ser reduzida em mais
de 60%.O rascunho inclui sugestões para que os governos retirem uma grande
quantidade de carbono no mar, como o plantio de florestas. Mas são descartadas
as técnicas de geoengenharia, como a pulverização de produtos químicos na
atmosfera que reduziriam a luz solar, já que estas medidas “enfrentam grandes
incertezas e lacunas de conhecimento”.O porta-voz do IPCC, Jonathan Lynn, afirmou que não comentaria o esboço do
documento antes de sua publicação.
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