Após ser rejeitado duas vezes, menino é adotado por casal: 'Agora tenho dois pais'


RIO — Após ser rejeitado pela família biológica e por duas famílias que tinham intenção de adotar uma criança, o pequeno Enzo, de 8 anos, foi acolhido pelo casal Kairon Patrick Oliveira da Silva e Sílvio Romero Bernardes Fagundes, seus novos pais. O pedido de adoção foi julgado procedente pelo juiz Felipe Levi Jales Soares, da 1ª Vara de Família, Sucessões, Infância e Juventude do fórum de Águas Lindas de Goiás (GO) no último dia 12.Enzo viveu em um abrigo desde seus 3 anos e viu seus irmãos serem adotados. Aliás, dois deles estiveram no fórum para revê-lo no dia da adoção. No entanto, demorou mais tempo para ele ter a mesma oportunidade de encontrar um lar. Duas famílias que pretendiam adotá-lo o rejeitaram porque o menino tinha sido diagnosticado com transtorno de déficit de atenção, com um transtorno de comportamento e hiperatividade.“Eu estou muito feliz. Agora tenho dois pais e eu os amo”, ressaltou o menino. “Meus pais são ótimos para mim e eu amo muito eles”. Levi acredita que os interessados em adotar uma criança devem ter coração e mente abertos. Para o magistrado, não há dúvida de que a adoção atende ao melhor interesse de Enzo, conforme indica o Estatuto da Criança e do Adolescente. “Como se pode verificar de toda instrução do processo, não resta dúvida que ele recebeu a melhor de todas as famílias”, frisou, segundo um comunicado do Tribunal de Justiça de Goiás.O juiz também observou a melhora no comportamento e na saúde de Enzo após a adoção. “Enzo, você não só recebeu o melhor lar para viver, mas companhias que lhe ensinarão no dia a dia a ser um homem, a tratar bem as pessoas e a se desenvolver, como você, guerreiro que se mostrou ser e que, sem dúvida, continuará sendo”, afirmou Levi ao menino.Segundo os pais, o garoto entende sua nova estrutura familiar e nunca sofreu preconceito por ser filho de um casal homoafetivo. Ao relatar toda a experiência, Sílvio afirmou que o preconceito está muito mais nos adultos do que nas crianças.“Somos a prova de que o amor incondicional muda qualquer pessoa. Mudou o nosso filho e a gente também. Ele nos ensinou a amar mais, mas hoje a gente entende porque que ele teve que passar por tudo isso, por essas duas rejeições, para chegar na gente”, frisou.Kairon e Sílvio conheceram Enzo em dezembro de 2017, quando Enzo tinha 7 anos. O nome dos novos pais e dos avós já constam no registro de nascimento do menino. “Eu fui sozinho no abrigo, inicialmente não tive contato com o Enzo, mas foi amor à primeira vista. Depois voltamos juntos e ele também sentiu algo diferente pelo menino”, relatou Kairon.Após uma audiência, Enzo foi liberado para que passasse um fim de semana na casa do casal, mas o que era para ser um fim de semana se transformou em guarda provisória. “Enzo não dormia sozinho e não gostava de tomar banho. Todo dia era um escândalo. Mas eu sempre quis ser pai e não ia desistir por causa disso”, disse Kairon, acrescentando que o filho está matriculado uma escola particular, onde a psicopedagoga teria lhes aconselhado a não ficar com a criança. “Ela nos garantiu que ele não iria mudar”, desabafou.O processo de adoção foi iniciado em outro estado, mas o casal transferiu para Águas Lindas de Goiás devido às dificultades encontradas.“Aqui somos acolhidos, lá sofremos preconceito até no curso. Nos sentimos excluídos. A Justiça goiana e o juiz desta comarca estão de parabéns. Graças a isso, nossa família nasceu”, explicou Sílvio.
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