Após estupros de meninas, premier indiano é acusado de omissão

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NOVA DÉLHI — Uma menina de 7 anos foi estuprada e estrangulada e seu corpo foi encontrado na Índia, nesta terça-feira, no estado de Uttar Pradesh. O caso se soma ao estupro coletivo e assassinato de uma garota muçulmana de 8 anos no estado de Jammu e Caxemira. Ambos os crimes provocaram a ira da população, e críticas tem recaído sobre o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, por não fazer o suficiente para proteger as crianças e mulheres do país.

Nos últimos dias, o partido nacionalista hindu Bharatiya Janata (BJP) foi atingido por uma tempestade nacional. Primeiro devido ao crime envolvendo a menina muçulmana vítima de hindus em Jammu e Caxemira. Dois ministros do BJP no governo provincial foram forçados a renunciar depois de inicialmente oferecerem apoio aos acusados. Oito homens estão sendo julgados pelo crime.

No caso mais recente, o corpo da vítima de 7 anos foi encontrado em uma área em construção, na manhã desta terça-feira, horas depois de ela ter desaparecido de um casamento no distrito de Etah, no estado de Uttar Pradesh. A polícia afirmou ter prendido um vizinho que estava montando tendas para a cerimônia, sob suspeita de que ele tenha levado a menina para um prédio isolado.

Quando Modi chegou ao cargo, em 2014, cunhou o slogan “salve nossas filhas, ensine nossas filhas”, mas agora essa mensagem soa vazia, dizem os críticos.

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Dados do governo indicam que 18.862 casos de estupro infantil foram registrados em 2016 — mais de 50 por dia. Isso equivale a quase metade do total de 40.000 casos de estupro de crianças e adultos relatados naquele ano, em comparação aos 25.000 em 2012.

Grande parte dos crimes nem chega a ir a julgamento. Segundo o relatório da Fundação Infantil Kailash Satyarthi, uma instituição de caridade, estima-se que casos de estupro registrados hoje no nordeste do estado de Arunachal Pradesh levariam 99 anos para ir para os tribunais. Uma criança estuprada no estado ocidental de Gujarat esperaria 53 anos por justiça.

Ativistas acusam as autoridades de não protegerem mulheres e crianças e de serem vagarosos nas investigações e prisões dos autores.

— Se uma criança tem que esperar e implorar por justiça em nossos tribunais há décadas, esse é o nosso fracasso coletivo — afirmou o ganhador do Nobel da Paz Kailash Satyarthi. — Você acha que uma criança de 15 anos abusada hoje vai comparecer à audiência com seus netos quando ela fizer 70 anos?


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