Após declarações de Guedes, CNI pede prioridade ao Mercosul


BRASÍLIA – Dois dias depois de o economista Paulo Guedes, que comandará a equipe econômica do presidente eleito Jair Bolsonaro, declarar a uma jornalista argentina que o Mercosul não é prioridade, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou uma nota, nesta terça-feira, destacando a importância do Mercosul para o comércio brasileiro e pedindo a continuidade da agenda de negociações em curso. A entidade alertou que, se o governo não der a devida atenção ao bloco, quem sairá ganhando são os exportadores chineses.

“Se o governo brasileiro não der prioridade ao Mercosul, ou ainda pior, se se reduzir a Tarifa Externa Comum (formada por alíquotas praticadas pelo Mercosul com mercados que não fazem parte do bloco) de forma unilateral, o único ganhador é a China, que já vem tomando o mercado brasileiro em toda a América do Sul. Pequenas e médias empresas, que exportam mais para esses países, serão as mais afetadas”, advertiu a CNI. mercosul

Na avaliação da entidade, o Mercosul é um complemento do mercado doméstico brasileiro e é o destino de exportação no qual a indústria tem maior participação. Por isso, o Brasil precisa fortalecer sua posição nos mercados do Mercosul.

“A Argentina e o Uruguai, por exemplo, são grandes parceiros do Brasil. A Argentina, em particular, é um dos mercados mais importantes para as exportações e os investimentos brasileiros no exterior, em especial para as pequenas e médias empresas. É para onde o Brasil exporta produtos de alto valor agregado e onde possui diversas multinacionais. Além disso, o setor automotivo brasileiro é integrado em cadeia de valor com o setor automotivo argentino”.

Ainda em uma demonstração de que está preocupada com o futuro do Mercosul, a CNI chegou a citar o artigo 4º da Constituição, que estabelece os princípios de atuação do Brasil nas relações internacionais e determina a integração econômica com países da América Latina como um desses princípios.

No comunicado, a CNI lembra que o Mercosul ficou uma década sem avançar na agenda econômica. Somente em 2017 as negociações foram retomadas concretamente, com a introdução de dois novos acordos: compras públicas e de cooperação e facilitação de investimentos.

“Ainda existem barreiras a serem eliminadas no Mercosul – técnicas, sanitárias e fitossanitárias, regulatórias e no setor de serviços – e o momento, agora, é de avançar na agenda econômica do bloco”.

Na nota, a entidade não menciona a declaração de Paulo Guedes. Também não cita a proposta, ventilada há várias semanas por Bolsonaro e auxiliares, de que é preciso “retirar as amarras” do Mercosul, em uma sinalização de que os países poderão ser liberados a negociarem em separado, acordos de livre comércio com outros países.


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