Apesar de esquema de segurança reforçado, violência em protestos na França persiste


PARIS – A França voltou a registrar confrontos entre manifestantes e policiais neste sábado, em novo protesto dos chamados coletes amarelos. No quarto sábado seguido de manifestações, o movimento reuniu cerca de 125 mil manifestantes, em comparação a cerca de 130 mil pessoas na semana anterior, de acordo com cálculos do Ministério do Interior. O efetivo de segurança destacado para conter distúrbios foi de quase três quartos do número presumido de manifestantes, chegando a 89 mil. Só em Paris, foram 8 mil policiais, ao lado de 12 veículos blindados, que não eram empregados na cidade havia uma década. links coletes amarelos 08-12Os protestos se estenderam durante todo o dia em diversas cidades francesas. A polícia anunciou que 1.385 pessoas foram interpeladas e 974 foram detidas. Em todo o país, 118 manifestantes e 17 policiais ficaram feridos. Apesar de a polícia ter lançado gás lacrimogêneo, a manhã na Avenida Champs-Élysées, no centro da capital, foi relativamente calma, com cerca de 1.500 manifestantes. Outras centenas de pessoas se reuniam na área do monumento do Arco do Triunfo. O perfil dos manifestantes era mais homogêneo, sobretudo de homens entre 20 e 40 anos. As primeiras cenas de destruição na capital aconteceram por volta de 13h, no oeste da cidade, quando lojas foram depredadas por manifestantes, muitos vestidos de preto, mascarados e sem coletes. As cenas de depredação, que alguns manifestantes tentaram impedir, continuaram em diversos pontos da cidade. O número de manifestantes na capital chegou a dez mil, segundo a polícia.Outras das principais cidades francesas também registraram manifestações. Em Nice, no Sul, manifestantes com coletes amarelos fecharam a fronteira com a Itália. Toulouse, Marselha, Lyon, Lille e Nantes são outras grandes cidades que registraram protestos e, em alguns casos, ocasionais confrontos entre manifestantes e forças de segurança. Alguns manifestantes, incluindo senhores de idade, levaram fotos em homenagem a manifestantes feridos na semana passada pela policia, informou o Le Monde. A vida rotineira foi alterada pelos protestos em diversas cidades, com museus e lojas fechando as portas. Boa parte de Paris amanheceu como uma cidade fantasma, o que deve atrapalhar o setor comercial às vésperas do Natal. Dezenas de ruas também foram fechadas, bem como várias estações de metrô.Governo saúda políciaO primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, se manifestou sobre os episódios:— Quero saudar a polícia. Nós concebemos um plano excepcional pela escolha de um dispositivo focado em particular na mobilidade permanente da polícia — disse. Na terça-feira, o primeiro-ministro havia anunciado a suspensão por seis meses do aumento planejado para janeiro de 2019 do chamado imposto carbono sobre o diesel, criado por motivos ecológicos e desencadeador inicial da revolta. No dia seguinte, o aumento foi cancelado por tempo indefinido. Os protestos surgiram no interior da França e nas periferias das grandes cidades, organizados pela internet, à margem de partidos ou sindicatos. A reivindicação inicial era o fim do imposto carbono, mas os manifestantes passaram a pedir aumento do salário mínimo e volta do imposto sobre fortunas. Os coletes amarelos usados pelos manifestantes fazem parte do kit obrigatório para os motoristas.No Twitter, o presidente dos EUA, Donald Trump, aproveitou os novos protestos na França para reafirmar sua oposição ao Acordo de Paris sobre o clima. “O Acordo de Paris não está funcionando tão bem para Paris. Protestos e tumultos por toda França. As pessoas não querem pagar grandes quantias de dinheiro, grande parte para países do Terceiro Mundo (que têm governos questionáveis) para proteger o meio ambiente. Cantam ‘Queremos Trump!’. Amo a França”, escreveu.Marchas pelo clima têm sucessoApesar dos protestos conflituosos dos coletes amarelos, marchas pelo clima, para marcar as negociações conhecidas como COP-24 na Polônia, aconteceram em mais de 120 cidades francesas, superando na capital o número de manifestantes de coletes amarelos.Cerca de 25 mil pessoas marcharam em Paris, segundo os organizadores. A polícia calculou 17 mil, o que, ainda assim, seria quase o dobro dos coletes. Os números foram semelhantes aos de marchas pelo clima anteriores na cidade.Os organizadores tiveram que mudar a rota da passeata devido aos protestos dos coletes amarelos, mas recusaram um pedido de adiamento do ministro do Interior, Christophe Castaner.“Era impensável cancelar essa marcha. É importante falar sobre problemas relacionados ao fim do mundo e ao final do mês”, disse Elodie Nace, porta-voz da ONG verde Alternativa, à multidão.Milhares de pessoas também marcharam em outras cidades francesas, incluindo cerca de 10 mil em Marselha, 3.500 em Montpellier e 3 mil em Lille.Em algumas cidades como Rennes, Angers e Lyon, houve convergência entre a passeata pelo clima e a dos coletes amarelos, os últimos estimulados pela revolta contra o imposto carbono, que visa impulsionar a transição do país para uma economia mais verde, mas que os manifestantes dizem que prejudicava a classe média baixa.Ativistas verdes nas marchas climáticas pediram que as pessoas encontrassem soluções para os problemas ambientais e para as dificuldades financeiras dos mais pobres da França, dizendo não haver incompatibilidade. “Coletes amarelos, coletes verdes, a mesma luta”, gritavam.
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