'AP' revela 2 mil alegações de abuso sexual e exploração por capacetes azuis da ONU

2015_812108507-20150429162300503afp.jpg_20150429.jpg PORTO PRÍNCIPE — Uma investigação da agência de notícias Associated Press (AP) descobriu, ao longo dos últimos 12 meses, quase 2 mil alegações de abuso sexual e exploração por capacetes azuis em missões de paz da ONU de várias partes do mundo. As revelações podem indicar que a crise na organização é muito maior do que já se sabia, com base em denúncias passadas, sobretudo, em nações africanas.

Segundo a AP, mais de 300 destas alegações envolvem crianças, mas apenas uma fração dos supostos autores dos crimes de exploração e abuso sexual foram presos.

Além disso, o vazamento de um relatório interno da ONU mostrou um esquema de exploração sexual infantil no Haiti, envolvendo 134 capacetes azuis do Sri Lanka. Apesar de evidências claras para comprovar as ações criminosas, ninguém foi preso. Quatro problemas graves que o Haiti ainda vive

A ONU foi, nos últimos anos, acusada sistematicamente de negligência na atuação de soldados em missões de paz. No caso mais emblemático até hoje, 69 capacetes azuis foram acusados de abuso sexual na República Centro-Africana e na República Democrática do Congo. Lidar com a crise nestas missões é um dos maiores desafios para o novo secretário-geral da organização, o português António Guterres, que tomou posse no cargo em janeiro deste ano.

Um dos maiores contribuidores das missões de paz da ONU, os EUA têm pressionado o Conselho de Segurança para pela primeira vez confrontar os casos de abusos sexuais envolvendo capacetes azuis. Relações sexuais entre soldados da tropa de paz e civis são proibidas pelo protocolo da organização internacional.

DRAMA NA REPÚBLICA CENTRO-AFRICANA

A Missão da ONU na República Centro-Africana (Minusca) também já foi alvo de centenas de denúncias de abuso sexual. A força de paz, cujo mandato faz referência à proteção de mulheres e crianças, foi envolvida em uma série de escândalos de abuso sexual no início do ano passado. A idade mínima para sexo consensual na República Centro-Africana é 18 anos.

Em março de 2016, representantes da Organização das Nações Unidas (ONU) se mostraram consternados após a divulgação de cem novos casos de abusos na prefeitura de Kemo, nordeste de Bangui. Em meio às 108 vítimas ouvidas pela ONU, a ONG AIDS-Free World também denuncia a história de três meninas do mesmo país: elas teriam sido obrigadas por tropas francesas a realizar atos sexuais com cachorros em troca de dinheiro. A Justiça francesa já abriu uma investigação por outros casos de violência no país africano.

“Estas denúncias de abuso e exploração sexual são repugnantes e horríveis”, afirmou, à época, o embaixador francês na ONU, François Delattre, em comunicado. “As autoridades francesas estão decididas a esclarecer completamente essas graves acusações, em cooperação com a ONU e com a República Centro-Africana. É claro que, se os fatos forem provados, serão impostas medidas disciplinares exemplares, além da resposta penal”.

Em 2013, a A França enviou sua força Sangaris para intervir na África Central e deter as mortes em série que abalam comunidades locais. Depois de mobilizar até 2,5 mil soldados no auge da violência, a França hoje conta com cerca de 900 homens na República Centro-Africana. No total, a Minusca tem cerca de 12,6 mil militares e policiais.

Fonte: O Globo

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