Análise: Reforma política abre caminho para governabilidade

71749339_BRASIL - Brasília - BSB - PA - 19-09-2017 - PA - Sessão plenária da Câmara.Na foto o presi.jpgBRASÍLIA — Apesar das críticas que qualificam a criação da cláusula de barreira e o fim das coligações para 2020 como mudanças modestas, a reforma política que o Congresso parece estar perto de aprovar pode reverter um dos principais problemas do nosso sistema político: a pulverização partidária, que dificulta, cada vez mais, a vida de qualquer presidente.

Reforma política

Em 1998, quando foi reeleito, Fernando Henrique podia contar com ampla maioria para aprovar emendas constitucionais apenas garantindo a fidelidade das bancadas dos quatro maiores partidos de sua base: o PFL, com 105 deputados; o PSDB, 99; o PMDB, 83; e o PPB, 60 — total de 347 deputados.

Em 2014, os quatro maiores partidos da base de Dilma Rousseff somavam módicos 207 votos, num universo de 513 deputados: o PT elegeu 68; o PMDB, 65; o PP, 38; e o PSD, 36. Para ficar com maioria sólida como a de FH, com cerca de 350 votos, Dilma precisava do apoio fiel de pelo menos mais cinco legendas.

O balcão de negociações entre governo e base, que já causava náuseas, transformou-se numa repugnante feira livre, onde se pede de tudo. Se não são perfeitas, a cláusula de barreira e o fim das coligações proporcionais ao menos tendem a reverter o processo de degradação contínuo das relações políticas.

Fonte: O Globo Análise: Reforma política abre caminho para governabilidade

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