Análise: PIB positivo, mas nem tanto


RIO- A economia brasileira deu um suspiro no terceiro trimestre, mostrou nesta sexta-feira o IBGE, ao divulgar os números das Contas Nacionais. Mas essa recuperação, alta de 0,8% no terceiro trimestre frente aos três meses anteriores, ainda é frágil e bem aquém do que os números à primeira vista identificam. O efeito do fim da greve dos caminhoneiros é visível. O setor de transporte foi a segunda atividade que mais cresceu – 2,9% — comportamento incomum para um setor que avança conforme o ritmo da economia e não costuma puxar o crescimento.Chegando ao fim de 2018, era de se esperar que o país estivesse crescendo mais forte, depois de tanto tempo de recessão e estagnação econômica. Pelo desempenho até agora, o Brasil crescerá um pouco mais de 1% pelo segundo ano seguido, após dois anos de recessão. No início do ano, esperava-se expansão de 2,7%. Pelas contas do IBGE, ainda estamos produzindo o mesmo que no primeiro semestre de 2012. O caminho da recuperação é longo, e o ritmo é lento. O mercado de trabalho vem refletindo essa quase paralisia da economia. As empresas não geraram vagas formais de agosto a outubro, como mostrou a Pnad Contínua, que o IBGE divulgou na última quinta-feira. As ocupações que surgiram foram sem carteira ou por conta própria. O aumento da confiança empresarial após o fim das eleições ainda não foi suficiente para gerar emprego. A renda do trabalho também estagnou. Está no mesmo patamar de um ano atrás. Falta de emprego de qualidade, que dá mais confiança para consumir, e salário estagnado inibem crescimento. Os motivos que seguram a expansão ainda estão presentes — cenário externo volátil, crescimento global menor e ameaça de guerra comercial. Aqui, ainda há dúvidas de como vai funcionar o futuro governo com a nova estrutura e qual a capacidade de negociação que vai ter para aprovar a reforma da Previdência, considerada imprescindível para equilibrar as contas públicas. Mas há bons sinais nos resultados. O investimento vem reagindo. Foi um dos grupos de despesas que mais perdeu na crise. O consumo das famílias cresceu, mesmo que abaixo da média do PIB, e as importações também mostraram mais fôlego. Os estoques diminuíram, indicando que a produção pode aumentar para recompor o que foi escoado. Enquanto isso, os agentes econômicos — famílias e empresas — esperam. Para o ano que vem, o mercado prevê crescimento de 2,5%, ainda baixo para o tanto que temos que recuperar.
Leia a notícia completa em O Globo Análise: PIB positivo, mas nem tanto

O que você pensa sobre isso?