Análise: O furacão Alice Wegmann

RIO — A televisão vive nos apresentando a jovens talentos. É algo que acontece em regime regular, a cada estreia. Faz parte do ritmo de uma indústria cultural tão prolífica e importante como essa. Além disso, há a progressão natural da linha geracional. De vez em quando, não é sempre, um desses talentos é um furacão e se impõe, fazendo diferença para o resultado final de uma novela ou uma série. É o caso de Alice Wegmann, com a Maria que ela construiu em “Onde nascem os fortes”. A intensidade das emoções da personagem representa um desafio e tanto para ela e também para o diretor, José Luiz Villamarim. É que o registro aqui é diferente do que se costuma encontrar na teledramaturgia. Como já se viu em outros trabalhos dele, há sequências longas, silenciosas ou cheias de pausas. Com isso, o ator precisa saber se expressar para além dos diálogos, através do olhar, do gestual, eventualmente só pela presença. É como se a entrelinha desse o recado mais do que as falas. Trata-se de algo bem difícil, que pede técnica, mas também emoção.

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Alice é jovem, mas não inexperiente. Ela fez “Malhação” duas vezes, a segunda, em 2013, como a protagonista. Mas chamou mesmo a atenção num papel menor, de uma vilã, em “A vida da gente”, novela de 2011 de Licia Manzo. Depois, em “Ligações perigosas” (de Manuela Dias em 2016), voltou a atrair os olhares até ganhar, no mesmo ano, um papel mais importante no horário nobre, em “A lei do amor” (de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari). Cumpriu com brilho todas essas tarefas, mas nenhuma exigiu o que “Onde nascem os fortes” vem cobrando, daí o espanto e a admiração que vem provocando. Com esse trabalho, ela conquistou um lugar novo, de respeito, entre aqueles profissionais que iluminam a nossa televisão. É bom acompanhar.


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