Aliados do Hezbollah vencem eleição no Líbano, indicam resultados preliminares

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BEIRUTE – O Hezbollah e seus aliados políticos conquistaram pouco mais da metade dos assentos nas eleições parlamentares do Líbano, segundo resultados extraoficiais, fortalecendo um movimento apoiado pelo Irã que se opõe intensamente a Israel e destacando a influência regional crescente de Teerã. Se confirmados, os resultados preliminares citados por políticos e pela mídia também podem aumentar os riscos enfrentados pelo Líbano, que depende de ajuda militar dos Estados Unidos e espera obter bilhões de dólares de auxílio internacional e empréstimos para reanimar sua economia estagnada.

Considerado pelos EUA como um grupo terrorista, o Hezbollah ganhou força desde que entrou na guerra da Síria em apoio ao presidente sírio, Bashar al-Assad, em 2012. Sua posição forte no Líbano reflete a ascendência iraniana em territórios que se estendem do Iraque e da Síria a Beirute.

A contagem extraoficial da primeira votação parlamentar em nove anos indicou grandes perdas para o primeiro-ministro Saad al-Hariri, que tem apoio do Ocidente. Ainda assim, ele deve emergir como o líder muçulmano sunita com o maior bloco no Parlamento de 128 cadeiras, o que o tornará o favorito para formar o próximo governo.

O premier libanês precisa ser um sunita em respeito ao sistema de partilha de poder sectário do país. O novo governo, como o que se encerra, deve incluir todos os grandes partidos, e já se acredita que as conversas para decidir os ocupantes do gabinete exigirão tempo.

O Líbano tem recebido muita ajuda estrangeira para lidar com a acolhida de um milhão de refugiados que fugiram do conflito na vizinha Síria, o equivalente a um quarto de sua população.

A eleição foi realizada de acordo com uma nova lei complexa, que reformulou a distribuição do eleitorado e alterou o sistema eleitoral adotando um critério de proporcionalidade, ao invés do esquema “o vencedor leva tudo”. O ministro do Interior disse que os resultados oficiais serão declarados nesta segunda-feira.

As Forças Libanesas, um partido cristão ferrenhamente anti-Hezbollah, parecem ter emergido como as grandes vencedoras, já que passarão de 8 para 15 parlamentares, segundo indicações iniciais.

HEZBOLLAH COM MAIS DA METADE DAS VAGAS

O Hezbollah, assim como grupos e indivíduos aliados, obteve ao menos 67 assentos, de acordo com um cálculo da Reuters baseado em resultados preliminares de quase todas as vagas obtidos de políticos e campanhas e noticiados pela mídia libanesa.

Os aliados do Hezbollah incluem os xiitas do Movimento Amal, liderado pelo porta-voz do Parlamento, Nabih Berri e os cristão do Movimento Livre Patriótico criado pelo presidente Michel Aoun, parceiro do Hezbollah desde 2006 que diz que as armas do grupo são necessárias para defender o Líbano.

Os muçulmanos sunitas, com apoio do Hezbollah, tiveram bons resultados em Beirute, Trípoli e Sidon, bastiões do Movimento Futuro, de Hariri, indicaram os resultados. O jornal pró-Hezbolah “al-Akhbar” publicou em sua capa que a eleição foi um “tapa” em Hariri.

O Líbano deveria ter realizado uma eleição parlamentar em 2013, mas seus legisladores votaram para estender o próprio mandato diante de um impasse para concordar com uma nova lei de eleição parlamentar.

Uma aliança anti-Hezbollah conduzida por Hariri e apoiada pela Arábia Saudita, chamada de “Março 14”, ganhou a maioria parlamentar em 2009. O grupo se desintegrou e a Arábia Saudita desviou atenção e recursos para confrontar o Irã em outras partes da região, sobretudo no Irã.

Samir Geagea, líder das Forças Libanesas, disseram que os resultados mostram que há “apoio popular” que sustenta a Março 14 e que dá “força e impulso para consertar o caminho bem mais do que éramos capazes no passado”. Ele é um dos principais opositores cristãos no Líbano, e conduziu seu grupo político nos anos da guerra civil como adversário de Aoun.


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