A estreia quente e (quase) secreta do Built to Spill no Brasil, após 26 anos


RIO — O evento criado no Facebook tinha um título para lá de sugestivo: “Keep it like a secret” (1999), nome do quarto disco de estúdio do conjunto americano Built to Spill (“Mantenha isso em segredo”, em tradução livre). No texto, nenhuma descrição muito elaborada, apenas o preço (R$ 40), o endereço (no Centro, próximo à Praça Tiradentes), a capacidade (50 pessoas) e a máxima “para um bom entendedor apenas uma frase basta”.

A frase bastou para lotar o Escritório (sede do selo Transfusão Noise Records) com fãs de diferentes gerações na noite deste domingo. Por lá, o americano Doug Martsch (49), herói do rock indie que fundou o Built to Spill há 26 anos e embalou trilhas de dezenas de vídeos e filmes sobre skate desde então, fez sua estreia no Brasil numa sala quente e apertada, rodeado pelo público. Links indie

Ao lado dele, estavam os cariocas João Casaes e Lê Almeida no baixo e na bateria, respectivamente.

— Foi uma noite incrível, tão divertida quanto possa parecer — avaliou Doug no dia seguinte, horas antes de subir, desta vez sozinho, ao palco do Solar de Botafogo, onde fez um show acústico. — Fiquei apaixonado desde a primeira vez que ouvi o material de Lê e João. Esperava um dia fazer algo com eles, então tive que convidá-los para tocar comigo nesta turnê.

Lê, que é o fundador da Transfusão e integra diferentes grupos além de sua carreira solo, conta que o show no Escritório já tinha sido conversado, mas o convite para ele e o sócio João integrarem o Built to Spill no giro foi uma novidade. Do Rio, o trio segue para Belo Horizonte (quinta-feira, no Música Quente), São Paulo (sexta, na Fabrique) e Santiago:

— Ele tinha acabado de ensaiar com dois caras novos nos Estados Unidos e disse que foi muito ruim (desde sua fundação, em 1992, a banda teve um perfil itinerante, tendo apenas Doug como integrante fixo). Por isso, nos chamou. Ficamos meio preocupados, mas logo no primeiro ensaio ele gostou pra caralho e o amigo dele que o acompanha disse que tocamos muito melhor. Isso foi nos deixando mais à vontade.45590117_369990173745544_4679570858463723520_n (1).jpg

Tanto Lê quanto João, que já tocaram juntos em bandas como Gaax, Treli Reli Repi e Lê Almeida, são fãs de longa data do Built to Spill e foram influenciados pelos discos de Doug, o que só aumentou a responsabilidade.

— Nós dois ensaiamos nota por nota por mais de uma semana, todos os dias. Tem emoção envolvida, claro, mas a gente sabe que tem que executar bem o negócio — reforça Lê.

Em casa, no Escritório, o show serviu como uma espécie de prova de fogo para o restante da semana, quando vão se apresentar em palcos e casas maiores, com melhores estruturas. Ainda assim, os cariocas que se apertaram por lá saíram com a impressão de que participaram de uma experiência única, a mais “indie” possível.

Enquanto Doug apresentava ao cariocas seu jeito único de tocar guitarra (tão viajante quanto pop, indo do folk ao blues) e cantava músicas como “The plan”, “Carry the zero” e “Liar”, com o vocal abafado como o clima, Lê e João faziam a cozinha que permitia jams de pura fritação.7ef78729-2787-4e4a-b14d-91db032ac9b3.jpg

A apresentação durou pouco mais de duas horas, com 22 músicas executadas, passando por diferentes fases de uma banda que, entre outros trunfos, soube manter e expandir sua aprovação entre público e crítica mesmo após assinar com uma gravadora major — a Warner, que lança os discos do Built to Spill desde “Perfect from now on” (1997) até o mais recente, “Untethered moon” (2015). Built to Spill

— Tocamos literalmente todas as músicas que tínhamos ensaiado. Cogitamos fazer um intervalo, mas, na hora, fluiu direto. Provavelmente, os próximos shows da turnê não serão tão longos. Foi uma noite especial por vários motivos, e esse é um deles — comemorou Lê.

Para além da troca de calor humano, Doug pouco interagiu com o público (“mesmo numa noite mágica como essa, eu encaro o show como um trabalho, me concentro em fazer tudo certo”, justificou) no palco, mas, após encerrar o trabalho, fez questão de tirar fotos, trocar ideias e discotecar para aqueles que optaram por estender a noite. Built to Spill

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