A educação como caminho para lutar contra a desigualdade

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RIO – “A educação é olhar o copo cheio”. O pedagogo Tião Rocha terminou a mesa “Parcerias” do Educação 360 dando o caminho para educadores se inspirarem. O debate reuniu quatro estudos de casos de projetos que, cada um à sua maneira, se concentram em resolver um problema fundamental: a desigualdade social. O encontro internacional é realizado pelos jornais O GLOBO e “Extra”, com parceria do Sesc, patrocínio de Fundação Telefônica, colégio pH e Fundação Itaú Social, apoio da Unesco e Unicef, e parceria de mídia da TV Globo, do Canal Futura, da revista “Crescer”, da revista “Galileu” e do TechTudo.

– É preciso trabalhar olhando as potencialidades e dar ferramentas para as crianças se desenvolverem. Não a partir do que falta, mas a partir do que elas têm – diz Tião.

E é exatamente isso que o fazem Mila Gonçalves, do Instituto Telefônica Vivo; Iolanda Maltaroli, da escola Solar Meninos de Luz; Fernanda Zanelli, pesquisadora do Itaú Social; e Enrique Ochoa, da ONG Clayss – os estudos de caso apresentados no encontro.

O Instituto Telefônica Vivo, por exemplo, tem o projeto Inova Escola, uma parceria com sete instituições de ensino públicas espalhadas em cinco estados do país. No Rio, há a Escola municipal André Urani, conhecida como Escola Gente. Essa unidade fica na Rocinha e tem uma metodologia de trabalho que derruba as paredes das salas, mistura turmas com crianças de diferentes idades e usa tecnologia até como ensino a distância em períodos em que os alunos precisam se ausentar.

– A gente chega para conversar com a escola e conversar junto com eles as soluções que vamos ter. É um processo. Não chegamos com uma fórmula. Qual vai ser o produto do processo depende das pessoas e da comunidade, depende dos educadores e dos alunos – explica Mila. – É no Inova Escola que a gente aprende, é ali que ficamos junto das escolas inovadoras. A gente bebe o conhecimento e extrai as práticas para disseminar o conhecimento.

Da Rocinha, o debate foi para o Pavão-Pavãozinho. É de lá a escola Solar Meninos de Luz, uma criação da educadora Iolanda Maltaroli. Moradora de Copacabana, ela nunca havia subido entrado na comunidade até 1983, quando uma caixa d’água despencou provocando mortes e destruição no local. Naquele momento, ela começou a ajudar as vítimas do acidente. O contato passou a ser mais frequente, e Iolanda abriu um projeto de assistência social que, nove anos depois, virou a escola.

– No primeiro ano, escolhemos os filhos de traficantes. Sabe por quê? Porque somos contra o tráfico. A gente quis acabar com o tráfico pela segunda geração. Nós fazemos essas crianças acreditarem que podem fazer o que quiserem e, assim, elas conseguem entrar na faculdade. Quando começamos, só tinha uma enfermeira na comunidade com ensino superior. Agora, são dezenas de jovens – conta Iolanda. – Escolhemos hoje as crianças que são mais vulneráveis para mudar a realidade. São dez horas diárias na escola, o que permite que a mãe possa trabalhar durante o dia aumentando a renda familiar. Um turno é para os conteúdos formais. O outro, de educação complementar, com mais de 35 tipos de oficinas.

O encontro, então, seguiu para a periferia de São Paulo. A pesquisadora Fernanda Zanelli, da Fundação Itaú Social, publicou neste ano a pesquisa “Novos Fluxos – Trajetórias juvenis”. Lá, ela busca entender como a juventude paulista se mobilizou, entre 2014 e 2016, influenciada por movimentos como as Jornadas de Junho, em 2013, os rolezinhos e as ocupações dos colégios.

– As estratégias desses jovens são sempre diferentes. Mas um ponto de convergência é que eles sempre formam redes e parcerias. Essas redes são importantes em qualquer faixa etária, mas na juventude é crucial porque esse é o momento de escolha de caminhos, quando precisamos de possibilidades. Embora a minha pesquisa seja sobre soluções que o jovem encontra, ela não é um ponto de partida de pensamento, mas, sim, um ponto de chegada. Porque as políticas públicas precisam se articular com esses meninos para que elas sejam políticas que cheguem a todos.

O encontro também trouxe a visão do argentino Enrique Maximo Ochoa, diretor executivo da ONG Clayss, que defende uma pedagogia de aprendizado a serviço da solidariedade. Nela, não basta a caridade. É preciso que haja, ao final da atuação, um conteúdo ao estudante.

Fonte: O Globo A educação como caminho para lutar contra a desigualdade

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